Armas de PMs que faziam patrulhamento quando Ágatha foi morta passarão por perícia

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2019 14h30
ReproduçãoA morte de Ágatha causou comoção e motivou críticas de entidades à política de segurança pública do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel

As armas dos policiais militares que estavam em patrulhamento na noite desta sexta-feira (20) na Fazendinha, no Complexo do Alemão, no momento em que a menina Ágatha Félix, de 8 anos, foi atingida nas costas por um tiro de fuzil, serão enviadas para a perícia pela Polícia Civil.

Segundo testemunhas, a criança estava dentro de uma kombi na comunidade, acompanhada da avó, quando foi atingida pela bala perdida. Moradores afirmaram que o tiro teria sido disparado por militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que tentavam atingir ocupantes de uma motocicleta em fuga.

Já a Polícia Militar alegou que os agentes que atuavam no local tinham sido alvo de criminosos e que revidaram à agressão.

As armas dos policiais militares passarão por confronto balístico com o projétil retirado do corpo da vítima no Instituto Médico Legal. De acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), familiares de Ágatha já prestaram depoimento neste sábado (21), e novas testemunhas serão ouvidas a partir desta segunda-feira (23).

No decorrer dessa semana, a polícia determinará a data para a reconstituição do disparo que acertou a menina. O corpo será enterrado às 16h deste domingo, no cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio.

Mobilizações

A morte de Ágatha causou comoção e motivou críticas de entidades à política de segurança pública do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). A Defensoria Pública do Estado condenou a “opção pelo confronto”, enquanto a seção Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) destacou o “recorde macabro” de 1249 pessoas mortas pela polícia no estado de janeiro a agosto.

O assunto também mobilizou a internet. A #ACulpaEDoWitzel figurou entre as mais citadas no ranking do Twitter Brasil ao longo do dia de sábado.

Moradores, parentes e amigos da família de Ágatha participaram de um protesto contra a violência policial nas comunidades que formam o Complexo do Alemão. Em vídeos postados nas redes sociais pelo jornal comunitário Voz das Comunidades, era possível ver os manifestantes carregando faixas com nomes de algumas das vítimas de confrontos e mensagens como “Parem de nos matar”, “Chega de morte” e “Não quero enterrar meu filho”.

Os líderes do protesto pediam um basta à violência e ao uso de helicópteros da polícia que têm sobrevoado as comunidades fazendo disparos contra a favela.

Em nota, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que lamentava “profundamente a morte da pequena Ágatha no Complexo do Alemão” e manteve a versão de que os agentes apenas revidaram a uma agressão. No entanto, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) comunicou que abrirá “um procedimento apuratório para verificar todas as circunstâncias da ação”.

O governo do Rio de Janeiro se pronunciou, por meio de nota, “lamentando profundamente” a morte da menina, “assim como a de todas as vítimas inocentes, durante ações policiais.”

* Com informações do Estadão Conteúdo