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‘Armas fantasmas’: operação cumpre mandados em 11 estados contra armamento 3D

Ação mira quadrilha liderada por um engenheiro que usava impressoras 3D para fabricar armas não rastreáveis

Nicolas Robert

Operação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em 11 estados brasileiros contra um grupo suspeito de produzir e vender peças de armas de fogo feitas em impressoras 3D, conhecidas como 'armas fantasmas'
Operação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em 11 estados brasileiros contra um grupo suspeito de produzir e vender peças de armas de fogo feitas em impressoras 3D, conhecidas como 'armas fantasmas' Divulgação / Polícia Civil

Uma operação realizada nesta quinta-feira (12) cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em 11 estados brasileiros contra um grupo suspeito de produzir e vender peças de armas de fogo feitas em impressoras 3D, conhecidas como “armas fantasmas”. A ação, chamada de Operação Shadowgun, resultou até o momento em uma prisão e investiga um esquema interestadual de fabricação e comércio desse tipo de armamento.

A investigação é conduzida pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CyberGAECO/MPRJ). Ao todo, cinco integrantes da organização criminosa foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

Os agentes cumprem quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a vendedores e compradores. As ações ocorrem no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Paraíba, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Roraima.

Segundo as investigações, o grupo produzia e divulgava projetos de armas e acessórios fabricados com impressoras 3D. Esse tipo de armamento é chamado de “arma fantasma” porque não possui numeração ou registro oficial, o que dificulta a identificação da origem e o rastreamento pelas autoridades.

As apurações começaram após um alerta de um órgão internacional sobre um usuário de rede social suspeito de desenvolver e vender armamentos produzidos com essa tecnologia. A partir daí, investigadores identificaram uma rede estruturada que ensinava como fabricar e montar as armas.

De acordo com os investigadores, o líder do grupo é um engenheiro especializado em controle e automação. Usando um pseudônimo na internet, ele divulgava testes das armas, publicava atualizações dos projetos e explicava como ajustar impressoras e materiais para fabricar as peças.

Ele também produziu um manual com mais de cem páginas, com orientações detalhadas sobre como construir a arma em casa. Com esse material, uma pessoa com conhecimento intermediário em impressão 3D poderia montar o armamento em poucas semanas utilizando equipamentos relativamente baratos.

A polícia aponta ainda que o principal produto do grupo era uma arma semiautomática feita com peças plásticas impressas em 3D e outros componentes não regulamentados. O projeto foi compartilhado em redes sociais, fóruns da internet e na chamada “dark web”, criando uma rede clandestina de produção e circulação de armas sem registro.

Venda de peças

Além da divulgação dos projetos, o grupo também vendia peças e prestava orientação para interessados em montar o armamento. As atividades eram financiadas com criptomoedas.

As investigações identificaram que o líder produzia carregadores alongados para pistolas de diferentes calibres em sua própria residência e vendia o material em uma plataforma de comércio on-line.

Entre 2021 e 2022, pelo menos 79 compradores adquiriram peças produzidas pelo grupo. Nos anos seguintes, as negociações passaram a ocorrer por outros canais na internet.

Segundo os investigadores, os compradores estão distribuídos por 11 estados e muitos deles possuem antecedentes criminais, principalmente relacionados ao tráfico de drogas e outros crimes graves.

No estado do Rio de Janeiro, foram identificados dez compradores em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e também na capital. A polícia investiga se o material foi parar nas mãos de organizações criminosas, como traficantes e milícias.

Durante a operação, agentes da 32ª Delegacia de Polícia (Taquara) também cumpriram seis mandados de busca e apreensão no estado do Rio, em endereços ligados a compradores. As ações ocorrem no interior, na Região dos Lagos e em bairros da zona oeste da capital, como Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca.

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