Bolsonaro na ONU: ‘É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade’

  • Por Jovem Pan
  • 24/09/2019 11h09 - Atualizado em 24/09/2019 12h13
REUTERS/Carlo AllegriO presidente chegou a Nova York nesta segunda-feira (23), acompanhado da esposa, Michelle Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) abriu, nesta terça-feira (24), os discursos da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que está acontecendo neste momento em Nova York. Em sua fala, ele voltou a defender a soberania da Amazônia e a criticar – em referência ao presidente da França, Emmanuel Macron – o “espírito colonialista” de países estrangeiros em relação ao Brasil.

“Os ataques sensacionalistas que sofremos por grande parte da mídia internacional devido aos focos de incêndio na Amazônia despertaram nosso sentimento patriótico. É uma falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a Amazônia, a nossa floresta, é o pulmão do mundo. Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa e com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa soberania”, disse.

Sem citar o nome de Macron, Bolsonaro falou sobre a polêmica em que se envolveu com o chefe de Estado, que chamou a floresta amazônica de “nossa casa” durante o encontro do G7 e sugeriu que era preciso que as nações estrangeiras intervissem no assunto. “Um deles, por ocasião do G7, ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil sem sequer ouvir o nosso lado. Quero reafirmar minha posição de que qualquer iniciativa de apoio à Amazônia e outros biomas deve ser tratado em pleno respeito à soberania brasileira”, continuou.

O presidente agradeceu, então, aos países que não corroboraram com a ideia das sanções, principalmente Trump, a quem elogiou o poder de “sintetizar o espirito que deve reinar entre os países da ONU: respeito à liberdade e à soberania de cada um de nós”, e fez um apelo á organização: “A Organização das Nações Unidas teve papel fundamental na superação do colonialismo e não pode aceitar que essa mentalidade regresse a estas salas e corredores, sob qualquer pretexto.”

Preservação e compromisso

Em seguida, o presidente brasileiro ressaltou que o país tem 61% do território preservado. Segundo ele, a Amazônia, que é maior do que a Europa Ocidental, está “praticamente intocada”, o que torna o Brasil “um dos países que mais protege”. Ele também ressaltou que tem “compromisso solene” com a preservação da floresta.

“Em primeiro lugar, meu governo tem o compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil”, declarou, reafirmando a mata não “está sendo devastada e nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia”, afirmou, convidados as pessoas para “comprovar” sua fala. “Não deixem de conhecer o Brasil, ele é muito diferente daquele estampado em muitos jornais e televisões”, garantiu.

Indígenas

Sobre os indígenas, Bolsonaro ressaltou que o Brasil não demarcará mais territórios além dos que já possui, e defendeu a exploração das terras por parte das tribos. Ao se autodenominar um “presidente que se preocupa com aqueles que lá estavam antes da chegada dos portugueses”, ele destacou que o “índio não quer ser latifundiário pobre em cima de terras ricas, em especial das terras mais ricas do mundo”.

Bolsonaro também voltou a criticar a postura das ONGs que defendem o meio ambiente. “Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas. Os que nos atacam não estão preocupados com o ser humano índio, mas sim com as riquezas minerais e a biodiversidade existentes nessas áreas”, acrescentou.

Outras lideranças 

Bolsonaro foi o primeiro a discursar, logo após o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente da Assembleia, Tijjani Muhammad-Bande. Agora, é a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falar.  Em seguida, o presidente do Egito, Abdel Fattah Al Sisi, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Nigéria, Muhammadu Buhari, também poderão discursar.

Além deles, lideranças como Maurício Macri, da Argentina; Evo Morales, da Bolívia; Emmanuel Macron, da França; Giuseppe Conte, da Itália; Boris Johnson, do Reino Unido; Pedro Sánchez, da Espanha e Shinzo Abe, do Japão, também terão a oportunidade de falar.