Bolsonaro usa posse de Pazuello para defender suas medidas durante a pandemia

Sem detalhar ou citar fontes, o presidente voltou a repetir que 30% das mortes pela doença poderiam ter sido evitadas com o uso de cloroquina de forma precoce

  • Por Jovem Pan
  • 16/09/2020 20h44
Marcelo Camargo/Agência BrasilBolsonaro mostra caixa de hidroxicloroquina durante cerimônia de posse do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro utilizou a cerimônia do general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde nesta quarta-feira, 16, para fazer a defesa de suas decisões na pandemia do novo coronavírus. Na sua fala, Bolsonaro voltou a criticar medidas adotadas por governadores, como o fechamento do comércio e de escolas. “Hoje vemos que essa questão (da pandemia) poderia ter sido tratada de forma um pouco diferente, com pouco mais de racionalidade. Entendo que alguns governadores foram tomados pelo pânico proporcionado por essa mídia catastrófica que nós temos no Brasil. Não é uma crítica à imprensa, é uma constatação”, disse, seguido de aplausos.

Bolsonaro também ressaltou que ações de governadores e prefeitos visavam impedir a contaminação de muitas pessoas ao mesmo tempo para não sobrecarregar hospitais. “Mas daí vem a pergunta: como o hospital vai atendê-las, se não queriam sugerir um remédio? Que medida é essa? Critiquem, mas apresentem uma solução”, disse. Ele criticou o fato de chefes locais não terem apresentado “soluções” para a pandemia e defendeu o uso da hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra a doença. Para reforçar seu posicionamento, o mandatário criticou decisões do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, relacionadas ao protocolo da hidroxicloroquina.

O presidente chegou a mostrar uma caixa do medicamento e questionar autoridades presentes que contraíram o vírus se utilizaram o remédio. Sem detalhar ou citar fontes, o presidente voltou a repetir que 30% das mortes pela doença poderiam ter sido evitadas com o uso de cloroquina de forma precoce. Ele também defendeu a autonomia de médicos para recomendar o uso do medicamento em qualquer estágio da doença, parabenizando a classe. Bolsonaro não mencionou as mais de 134 mil mortes pela Covid-19 no Brasil até o momento.

*Com Estadão Conteúdo