Brasil fecha 1,2 milhão de empregos no primeiro semestre

Dados do Caged apontam o encerramento de 11 mil postos de trabalho formal no país em junho; agropecuária e construção civil lideram criação de emprego

  • Por Gabriel Bosa
  • 28/07/2020 11h00 - Atualizado em 28/07/2020 13h21
Tony Winston/Agência BrasíliaSetores de comércio, serviços e indústria registraram mais demissões que admissões

O mercado de trabalho brasileiro fechou 10.984 vagas em junho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério da Economia nesta terça-feira, 28. Entre janeiro e junho, foram encerradas 1.198.363 vagas, o pior índice desde o início da série histórica, em 1992. No primeiro semestre de 2019, o saldo foi positivo de 408.500 vagas criadas. Ao todo, foram 895.460 admissões e 906.444 demissões em junho. Em maio foram 350.303 postos de trabalhos cortados.

A agropecuária foi o setor com o melhor desempenho, com a abertura de 36.836 novas vagas, seguido pela construção civil que registrou um saldo positivo de 17.270 postos de trabalho. A indústria fechou 3.545 postos, enquanto comércio e serviços registram saldos negativos com o fechamento de 16.646 e 44.891 vagas, respectivamente. Entre as cinco regiões do Brasil, Centro-Oeste (10.010), Norte (6.547) e Sul (1.699) apresentaram saldos positivos entre admissões e demissões. O pior resultado foi o da região Sudeste que fechou o mês com menos 28.521 vagas. Já no Nordeste o saldo ficou negativo em 1.341.

A queda no mercado de trabalho é um dos principais indicativos da crise da Covid-19 na economia brasileira. Neste mês, o Congresso prorrogou o Programa Emergencial para Manutenção do Emprego e da Renda, que permite aos empregadores reduzir a carga horária e salário dos trabalhadores até o fim de 2020. A MP 936 está em vigência desde abril, quando foi editada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).  O governo federal também estendeu para até setembro o auxílio emergencial de R$ 600 por mês. O benefício visa o suporte dos trabalhadores informais, a categoria mais afetada pelo desemprego.