Cama de concreto e 9 m²: veja como é a cela de Vorcaro na Penitenciária de Brasília

O dono do Master foi transferido para a unidade de segurança máxima na tarde desta sexta-feira (6)

  • Por Igor Damasceno, Júlia Mano e Luciana Verdolin
  • 06/03/2026 20h53
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Reprodução Cela na Penitenciária Federal de Brasília O banqueiro Daniel Vorcaro está alocado em cela de 9 m², depois de 20 dias, ele será transferido para alojamento menor de 6 m²

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou na tarde desta sexta-feira (6) à Penitenciária Federal de Brasília. Anteriormente, o banqueiro estava preso preventivamente em Potim, no interior de São Paulo. A transferência se deu depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atender a pedido da Polícia Federal (PF).

Nos primeiros 20 dias, Vorcaro ficará isolado em uma cela de 9 m². O local possui cama, mesa, assento, prateleira e pia feitos de concreto. Também há privada e chuveiro (com funcionamento em horários determinados). Passado o período, o banqueiro será alocado em um alojamento com as mesmas características, mas ligeiramente menor, com 6 m².

 
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Vorcaro também recebeu um “Kit Preso”. Ao banqueiro, foi entregue:

  • Uma alpargata;
  • Um chinelo;
  • Um agasalho;
  • Um suéter;
  • Calças tactel;
  • Camisetas;
  • Luva;
  • Touca;
  • Toalha;
  • Roupa de cama;
  • Travesseiro;
  • Dois copos de plástico;
  • Um prato de plástico;
  • Talheres de plástico;
  • Produtos de higiene pessoal;
  • Canetas;
  • Lápis de colorir;
  • Papéis sulfite.

Também foram disponibilizados livros. Dentre eles:

  • “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva;
  • “Tempestade de Ônix”, de Rebecca Yarros;
  • “Stairway to Heaven: Led Zeppelin sem censura”, de Richard Cole.

Penitenciária Federal de Brasília

Inaugurada em 2018, a Penitenciária Federal de Brasília é uma das cinco unidades de segurança máxima do Brasil. Com 208 celas, o local fica ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda e do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde está preso o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. O dono do Master foi detido novamente na quarta-feira (4).

Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

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