Celebração de 90 anos do Cristo traz tom de conciliação à ‘briga’ entre Arquidiocese e governo

Segundo ministro do Meio Ambiente, Bolsonaro pediu ‘atenção especial’ para atritos criados entre padres e o ICMBio, que chegou a barrar religiosos de entrarem no Santuário

  • Por Jovem Pan
  • 12/10/2021 12h15 - Atualizado em 12/10/2021 13h03
Beth Santos/Prefeitura do RioCerimônia para comemorar 90 anos do Cristo Redentor ocorreu na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro

A cerimônia de celebração dos 90 anos do Cristo Redentor, realizada nesta terça-feira, 12, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, foi marcada pelo tom de conciliação entre o governo federal e a Arquidiocese do Estado, com a promessa do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, de tentar resolver o atrito estabelecido entre o órgão religioso e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em relação à realização de cerimônias no espaço, que fica em um trecho do Parque Nacional da Tijuca. A tensão entre os dois órgãos ocorre porque tanto o Santuário quanto o Cristo, de propriedade da Arquidiocese, estão localizados em parte do Parque e nos últimos meses, por ações consideradas “protocolares” pelo órgão federal, religiosos tiveram acesso ao local barrado. Na cerimônia desta terça, o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, saudou Pereira Leite e outras autoridades e sacerdotes presentes no local.

Em um pronunciamento breve, o representante do Meio Ambiente falou sobre a tensão entre os órgãos. “Aproveito a oportunidade para transmitir um pedido do presidente da república, que é trazer uma solução definitiva para a área onde se encontra o santuário do Cristo Redentor”, afirmou. Segundo o ministro, Bolsonaro pediu uma “atenção especial” ao assunto na última semana e as autoridades da pasta trabalham junto à Mitra para encontrar uma solução. O ponto mais alto das tensões entre a Arquidiocese do Estado e o ICMBio ocorreu ao longo do mês de setembro, quando, de acordo com o Santuário, o Padre Omar Raposo, reitor do templo, foi barrado pelo menos três vezes de entrar no local mesmo após comunicar eventos ao Parque.

Uma das proibições ocorreu quando ele estava acompanhado dos pais de uma criança que seria batizada. Na ocasião, uma queixa foi registrada na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Estado e, na ocasião, o reitor afirmou que levaria o assunto para o Papa Francisco no Vaticano. O evento desta terça também contou com a presença do presidente da Casa da Moeda, Maurício Visconti Luz; do presidente dos Correios, General Floriano Peixoto; do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e do governador do Estado, Cláudio Castro, que classificou os tempos atuais como o “momento que nós precisamos voltar a ter esperança”.