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Defesa de homem preso por supostamente matar mulher em Alphaville pede soltura do réu após novo laudo médico

Segundo o parecer, a mulher teria morrido por um infarto no miocárdio potencializado pelo uso de entorpecentes; advogados da vítima contestam

Fernando Keller

Ricardo Nunes faz entrega das viaturas elétricas para Guarda Civil Metropolitana, na Praça da Sé
Ricardo Nunes faz entrega das viaturas elétricas para Guarda Civil Metropolitana, na Praça da Sé MARCELO OLIVEIRA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A defesa de Fábio Seoane Soalheiro, representada pelo advogado Dr. Rodolfo Warmeling, pediu a soltura imediata do homem de 59 anos. O requirimento é feito com base em novo laudo que indicaria que Bruna Martello Carvalho morreu devido a um infarto agudo do miocárdio, causado por uma overdose. Fábio foi preso no dia 3 de agosto após acionar o serviço de resgate alegando que Bruna, de 35 anos, estaria sofrendo convulsões. A polícia constatou que os ferimentos da mulher seriam incompatíveis com os de uma convulsão. “Apesar de ter buscado socorro imediato, ele acabou sendo preso sob suspeita de feminicídio. Desde então, a defesa sustentou que a morte resultou de causas clínicas, tese agora corroborada pela prova técnica”, alega a defesa.

“Com o novo laudo, resta evidenciado que não há elementos para sustentar a acusação de homicídio, uma vez que o trágico desfecho decorreu de fatores clínicos e químicos alheios à vontade de Fábio”, continua a nota. “Nesse sentido, a defesa já protocolou petição requerendo que o juízo analise com urgência o conteúdo do laudo, dada sua relevância para o processo e para o esclarecimento da verdade dos fatos, inclusive quanto à desnecessidade da manutenção da prisão de Fábio”.

A defesa de Bruna, procurou a reportagem e contesta a versão, ressaltando que ainda faltam provas a serem analisadas e que a vítima não tinha histórico de consumo de drogas ilícitas. “Ainda há um extenso conjunto de provas sendo produzido, incluindo laudos complementares, além das fartas evidências de feminicídio já coletadas. A vítima nunca teve histórico de consumo de drogas e levava uma vida normal, sem qualquer evidência de consumo de drogas ilícitas.”

Entenda o caso:

Fábio Seoane Soalheiro foi preso após acionar o serviço de resgate alegando que sua companheira, a empresária Bruna Martello Carvalho, de 35 anos, estava tendo convulsões. Agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) encontraram sinais de violência no local. Levado à Delegacia da Mulher (DDM), ele foi autuado por feminicídio. À polícia, ele negou o crime. De acordo com Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), os guardas municipais foram acionados para atender a ocorrência e, chegando ao local, encontraram a vítima sem vida, com sinais de agressão.

O companheiro dela estava no imóvel e foi conduzido à DDM de Barueri. Foi constatado um mandado de prisão contra ele emitido pela justiça de Blumenau (SC) por descumprimento à medida protetiva em um caso anterior de violência doméstica. Fábio Seoane Soalheiro foi indiciado por feminicídio. De acordo com o registro policial, os guardas municipais constataram que Bruna tinha ferimentos na cabeça, nos braços e na perna. O homem também apresentava ferimentos nas mãos, nas costas e nas pernas. O apartamento estava revirado, tinha mechas de cabelo pelo chão e sinais de sangue, denotando episódio de violência.

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Segundo a GCM, Soalheiro negou agressão à vítima e disse que os ferimentos eram decorrentes da convulsão que ela sofreu, mas os guardas consideraram que os sinais eram incompatíveis com um quadro convulsivo. A Polícia Civil enviou perícia ao local. O corpo de Bruna foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) e a polícia aguarda o laudo da necropsia. Bruna morava no apartamento com o companheiro e uma filha de cinco anos, que não estava no local no momento da morte da mãe. O relacionamento do casal começou há pouco mais de um ano. O corpo da mulher foi sepultado nesta segunda-feira, 4, no cemitério Parque das Garças, em Santana de Parnaíba, cidade vizinha a Barueri. A empresária era de Concórdia (SC), onde ainda tinha familiares.

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