Doria acusa Ministério da Saúde de desabilitar leitos de UTI em São Paulo

Governador afirmou que decisão é motivada por ‘viés ideológico’ e prometeu judicializar a questão se governo federal não sinalizar reabertura de leitos até o final desta sexta-feira, 5

  • Por Jovem Pan
  • 05/02/2021 13h55
PAULO GUERETA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 28/01/2021Doria afirmou que decisão é 'inacreditável' e 'condenável'

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou, nesta sexta-feira, 5, o governo federal por desativar 3.258 leitos de UTI no estado em plena pandemia do novo coronavírus. Em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, Doria disse que a decisão do Ministério da Saúde é “inacreditável” e que, se não houver uma sinalização da pasta até o final do dia, quanto à reabilitação dos leitos, a questão será judicializada. “É inacreditável uma circunstância como essa. Em plena pandemia, morrendo 1200 brasileiros por dia, o Ministério da Saúde desabilitar leitos de UTI. Também não disponibiliza seringas e agulhas para que estados possam processar a sua vacinação. Todos os estados e o Distrito Federal usam suas próprias seringas para não interromper a vacinação. No país com o terceiro maior número de mortes pela Covid-19, o Ministério da Saúde desabilita leitos e não entrega seringas e agulhas”, disse o governador.

Doria também afirmou que a medida foi adotada por um “viés ideológico”. “O Ministério de Saúde quebra o pacto federativo ao impor a São Paulo a desabilitação destes leitos e estabelece claramente um viés político no comportamento do Ministério da Saúde no enfrentamento de uma crise gravíssima de saúde como essa”, disse. O secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que o governo do estado de São Paulo, em conjunto com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), enviou três ofícios ao Ministério da Saúde requisitando a reabilitação dos leitos e o envio de agulhas e seringas.

“Hoje vamos mandar um novo oficio para o Ministério da Saúde, que vem sem cobrado pelo presidente do Conass, e não tem tido sucesso. Caso isso continue, outros meios q n apenas a conversação e a diplomacia, passam a ser tomados”, afirmou Gorinchteyn. O governador João Doria ressaltou que o estado irá aguardar até o final desta sexta-feira para decidir qual decisão será tomada. “Se até o final do dia o Ministério da Saúde confirmar a reabilitação dos leitos e uma data para a entrega das seringas, não há razão para contestação legal, judicial. Se não fizerem, na segunda-feira o assunto será judicializado. E servirá de base para vários outros governadores que também estão queixosos pela desabilitação de leitos em plena pandemia. É surpreendente, para não dizer vergonhoso, que o Ministério da Saúde desabilite leitos de UTI. O Ministério da Saúde tem orçamento para isso. Foram habilitados por falta de compaixão? Por falta de decisão? Por motivação ideológica? Seja qual for a razão, ela é injusta, inadequada e condenável”, disse o governador.