Em uma semana, dois jovens morrem com tiros na cabeça em jogos de ‘roleta-russa’

Lucas Speck perdeu a vida aos 23 anos em Santa Catarina e Cades Emanuel, aos 20 anos, em Minas Gerais; Polícia Civil investiga os casos

  • Por Giullia Chechia Mazza
  • 06/04/2021 17h12 - Atualizado em 06/04/2021 17h28
Imagem: Reprodução/InstagramNa sequência, Lucas Speck e Cades Emanuel mortos após dispararem contra a cabeça

O jovem Lucas Speck, de 23 anos, morreu na noite deste domingo, 4, com um tiro na cabeça enquanto supostamente jogava “roleta-russa” em um sítio com amigos. O caso aconteceu em Pedras Grandes, na região Sul de Santa Catarina. Após o disparo, dois amigos que estavam junto com a vítima levaram o jovem até o Hospital São José, mas Lucas chegou à unidade sem vida. Seu corpo foi sepultado nesta segunda-feira, 5, no Cemitério de Morro da Fumaça.

Segundo o inquérito instaurado pela Polícia Civil, as evidências indicam que a arma foi disparada por Lucas, mas a hipótese de que outra pessoa tenha atirado continua a ser investigada. As autoridades não divulgaram a informação de quem pertence a arma envolvida na morte, que foi apreendida ainda com munições. As testemunhas que ajudarão a esclarecer o caso serão ouvidas ainda nesta semana. Na última semana, a vida de Lucas Speck não foi a única que terminou precocemente devido à “roleta-russa”, que consiste em carregar o tambor de um revólver com uma bala, fazê-lo girar, apontar o cano da arma para si e contar com a sorte para apertar o gatilho às cegas.

Com o costume de praticar “roleta-russa”, estudante morre após disparo

Na última quinta-feira, 1º, o estudante de direito Cades Emanuel morreu aos 20 anos com um disparo contra a própria cabeça durante um jogo de “roleta-russa”, em Janaúba, região Norte de Minas Gerais. Testemunha do caso, um amigo da vítima relatou que, por volta das 21h30 da noite do ocorrido, aceitou um convite feito por Cades Emanuel para ouvir músicas e ingerir bebidas alcoólicas na casa da vítima. Segundo João Pedro Queiroz, em um dado momento da confraternização, o estudante de direito sacou uma arma de fogo e propôs a brincadeira – carregando-a com uma bala. Até disparar a bala contra sua cabeça, Cades repassou o revólver à testemunha por duas vezes, que teve sorte ao atirar. João ainda confessou que ele e a vítima já haviam praticado, no mínimo, outras quatro vezes a “roleta-russa” em seus seis anos de amizade. Por meio da Polícia Militar de Minas Gerais, a Jovem Pan teve acesso às informações do caso.

“Durante a madrugada do dia 1º, às 00h55, fomos acionados para atender uma ocorrência de autoextermínio no centro de Janaúba. Ao chegar no local, entramos pelo portão da residência que encontrava-se semi-aberto e nos deslocamos até a área dos fundos. Ali nos deparamos com a vítima Cades Emanuel Pimenta sentado em uma cadeira, debruçado com o rosto em cima da mesa, com muito sangue, e sem os sinais vitais. Produzido por arma de fogo, foi detectado um orifício de entrada em sua região temporal direita e a exposição de massa encefálica. A arma utilizada, um revólver calibre 38, estava caído próximo aos seus pés. Além do cartucho deflagrado, a perícia também coletou outros cinco intactos e dois aparelhos celulares”, disse a PF. As autoridades ainda aguardam as conclusões da perícia realizada pela Polícia Civil.