Entenda o que causou a tempestade de poeira no interior de São Paulo e qual a chance de acontecer de novo

Meteorologista explica que o que levantou a poeira foi uma frente de rajada de vento; chance de o fenômeno ocorrer novamente nos próximos meses em São Paulo é pequena

  • Por Victoria Bechara
  • 27/09/2021 16h28 - Atualizado em 27/09/2021 18h06
Reprodução/TwitterTempestade de poeira atingiu cidades do interior de SP neste domingo

Uma tempestade de poeira atingiu cidades do interior de São Paulo e assustou os moradores neste domingo, 26. A poeira cobriu os municípios de Franca, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Araçatuba, Barretos, Jales e algumas cidades de Minas Gerais, na divisa com São Paulo. Em alguns locais, as rajadas de vento chegaram a mais de 60 km/h. Segundo a MetSul, o fenômeno é conhecido em muitos países como “haboob” e se forma a partir de uma tempestade comum de chuva e vento. O meteorologista Franco Nadal Villela, do Instituto Nacional de Meteorologia (InMet), explica que o fenômeno ocorreu por causa do tempo seco e a falta de chuvas. Sendo assim, a poeira de atividades como a agricultura, indústrias, construções e outras fica acumulada no solo. Segundo o especialista, o que levantou essa poeira foi um fenômeno chamado de “frente de rajada de vento”.

“Ontem começaram a se formar algumas áreas de instabilidade, áreas de chuva. Essas tempestades se organizaram e se deslocaram para o norte do Estado, onde estava muito quente e seco. A medida que essa tempestade vai se aproximando, o vento desce frio e entra por baixo desse ar muito quente que estava no Norte do Estado, gerando uma turbulência, um contraste térmico que levanta toda essa poeira que estava no chão”, explica. Para Franco Villela, é pequena a possibilidade de que outras tempestades de poeira atinjam São Paulo, já que deve chover mais nos próximos meses. Porém, outras regiões correm risco. “A gente pode ter a ocorrência desse fenômeno em outras áreas do Sudeste e Centro-Oeste do país, onde as áreas de instabilidade estão retornando e pode haver contrastes fortes de temperatura. Mas, mesmo no Estado de São Paulo, não podemos descartar ainda a ocorrência de fenômenos semelhantes”, afirma.