Justiça determina o bloqueio de R$ 128 milhões de Aécio Neves

  • Por Jovem Pan
  • 28/05/2019 19h11
Ernesto Rodrigues/Estadão ConteúdoEle é acusado de solicitar a Joesley Batista e ao Grupo J&F propina sob a promessa de favorecimento se fosse eleito presidente

O juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, determinou o bloqueio de R$ 128 milhões do deputado Aécio Neves (PSDB). Ele é acusado de solicitar, entre 2014 e 2017, quando era senador da República, a Joesley Batista e ao Grupo J&F propina sob a promessa de favorecimento se fosse eleito presidente.

Além disso, o compromisso teria envolvido influência junto ao Governo do Estado de Minas Gerais para viabilizar a restituição de créditos fiscais de ICMS em favor de empresas do Grupo J&F.

Aécio teria recebido para si e para outra pessoa os R$ 128 milhões em mais de uma parte: nas eleições de 2014; na compra de um prédio ligado ao Jornal Hoje em Dia, em 2015 e 2016; e em prestações pagas por meio da pessoa jurídica à Rádio Arco Íris, que pertenceria à irmã e à mãe dele.

O Ministério Público Federal (MPF) aponta indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de associação criminosa. As acusações foram feitas a partir de documentos apresentados por executivos do Grupo J&F, diálogos entre pessoas e relatórios anexados pela autoridade investigadora, além de elementos de informação resultantes da Operação Patmos e de relatórios do COAF.

Parte dos recursos recebidos teria sido direcionada ao PSDB, mediante doações oficiais, simulação da prestação de serviços, emissão de notas fiscais fraudulentas e entregas de valores em espécie. No entanto, outra parte teria sido utilizada para a “compra” do apoio de partidos políticos.

“Os indícios apresentados pela autoridade policial vinculam os investigados a possíveis acertos escusos, envolvendo vantagens indevidas em razão de cargos públicos, assim como movimentação financeira suspeita indicativa de eventual delito de lavagem de dinheiro”, afirmou o juiz.

Além disso, são apresentados nos autos elementos que demonstram que práticas de lavagem de dinheiro estariam em curso desde as primeiras tratativas para recebimento de propina.

Acusações

Foram levados em consideração cinco fatos possivelmente delituosos na decisão de bloquear os bens do ex-senador. Segundo a investigação, Aécio solicitou a Joesley Batista o pagamento de R$ 100 milhões para a campanha presidencial da coligação liderada pelo PSDB, em 2014. Em contrapartida, teria prometido influência em futuro governo, mediante apoio político em ações de empresas ligadas ao financiador, bem como pela concessão de facilidades.

O ex-senador teria vendido, também, o prédio o Jornal Hoje em Dia por R$ 18 milhões, para quitação das despesas eleitorais pendentes da campanha presidencial do PSDB realizada no ano de 2014. Além disso, teria solicitado a Joesley pagamentos mensais de R$ 50 mil para custeio de despesas pessoais, por meio da Rádio Arco Íris, entre 2015 e 2017.

Por fim, teria pedido a Joesley R$ 5 milhões, para pagamento de despesas com advogado em 2016.