Covid-19: Unimed de SC distribui kits com hidroxicloroquina e ivermectina e gera polêmica

Empresa de Brusque informou que ‘a utilização não era compulsória’ e que o kit foi entregue a profissionais da linha de frente ‘com orientações’

  • Por Jovem Pan
  • 17/07/2020 18h58 - Atualizado em 17/07/2020 19h26
ReproduçãoPublicação no Twitter feita pela médica Júlia Recuero com a foto do kit já tem mais de 12 mil curtidas

Um “Kit Covid-19” enviado pela Unimed Brusque, de Santa Catarina, tem gerado polêmica nas redes sociais. A embalagem de presente, entregue a profissionais da linha de frente no combate ao coronavírus, contém os medicamentos hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina D e zinco quelado, além de orientações sobre a administração, posologia e armazenamento dos remédios. A publicação no Twitter feita pela médica Júlia Recuero com a foto do kit já tem mais de 12 mil curtidas. “É isso minha gente. Presente da Unimed na caixa do Boticário. Apocalipse”, escreveu.

Em comunicado, a Unimed afirmou que “orienta suas cooperativas a seguirem as diretrizes previstas pelas associações e sociedades de especialidades médicas brasileiras, além dos protocolos aprovados pela OMS”. “Pelo princípio cooperativista, as cooperativas têm autonomia para desenvolver e executar as ações que julgarem pertinentes às suas necessidades, bem como os médicos que as compõem têm autonomia para indicar tratamentos e procedimentos de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina”, disse em nota.

Além disso, a Unimed Brusque informou que “a utilização não era compulsória”, que o kit foi entregue a profissionais da linha de frente “com orientações”, e que também “foram realizados exames para excluir doenças que possam ser agravadas pelo uso da profilaxia”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselha o uso da cloroquina, por “não conseguir demonstrar que há um benefício claro” na melhora do quadro da Covid-19. Sobre o antiparasitário ivermectina, a Anvisa alegou que também não é recomendado no tratamento de pessoas com o vírus, por não ter “eficácia comprovada”.