Laboratório detecta dois casos da nova variante do coronavírus em SP

Apesar de mais transmissível, ainda não há evidências de que a mutação seja mais letal do que outras cepas dominantes

  • Por Jovem Pan
  • 31/12/2020 14h40 - Atualizado em 31/12/2020 14h43
ANDRÉ PERA/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDOO Estado de São Paulo tem, até está quinta-feira, 46.717 mortes e 1.462.297 casos confirmados de Covid-19

O laboratório de diagnóstico Dasa confirmou nesta quinta-feira, 31, que identificou dois casos da nova variante do coronavírus em São Paulo, a cepa B.1.1.7, a mesma detectada no Reino Unido e em outros países do mundo. É o caso dos Estados Unidos, que identificaram seu primeiro caso da nova variante na última terça-feira, 29. Segundo o governo britânico, que foi o primeiro a informar casos da mutação do vírus, a cepa pode ser até 60% mais transmissível, mas ainda não há evidências de que ela seja mais letal. De acordo com o laboratório, a descoberta já foi informada ao Instituto Adolfo Lutz e à Vigilância Sanitária

A confirmação da variante foi feita por meio de sequenciamento genético realizado em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FMUSP). “O sequenciamento confirmou que a nova cepa do vírus chegou ao Brasil, como estamos observando em outros países. Dado seu alto poder de transmissão esse resultado reforça a importância da quarentena, e de manter o isolamento de 10 dias, especialmente para quem estiver vindo ou acabado de chegar da Europa“, informou Ester Sabino, pesquisadora do IMT-FMUSP.

Segundo nota enviada pelo laboratório Dasa, o estudo para descoberta desta cepa foi iniciado em meados de dezembro, quando o Reino Unido publicou as primeiras informações científicas sobre a variante, que se caracteriza por apresentar grande número de mutações, oito delas ocorrendo na proteína da espícula viral (spike). Foram analisadas 400 amostras de RT-PCR de saliva e duas amostras apresentaram a linhagem B.1.1.7. “A spike é a proteína que o vírus usa para se ligar à célula humana e, portanto, alterações nela podem tornar o vírus mais infeccioso. Os cientistas ingleses acreditam que seja esta a base de sua maior transmissibilidade”, explica José Eduardo Levi, virologista da Dasa.

No Reino Unido, a nova variante já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. “A prevenção ainda é o método mais eficaz para barrar a propagação do vírus: lavar as mãos, intensificar o distanciamento físico, usar máscaras e deixar os ambientes sempre ventilados. Apesar das festas de fim de ano e das férias que se aproximam, é imperativo reforçar os cuidados”, explica o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana. Até o momento, o Estado de São Paulo registrou 46.717 mortes e 1.462.297 casos confirmados de Covid-19.