Mandetta defende diminuição da circulação de pessoas: ‘Tem que ter racionalidade’

  • Por Jovem Pan
  • 28/03/2020 19h25 - Atualizado em 28/03/2020 20h37
Frederico Brasil/Estadão ConteúdoLuiz Henrique Mandetta é o atual ministro da Saúde do Brasil

Apesar de concordar com os alertas do presidente Jair Bolsonaro a respeito das consequências de uma crise econômica, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu neste sábado (28) a diminuição da circulação de pessoas no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, é necessário ter racionalidade e não agir por impulso. O ministro concedeu entrevista coletiva nesta tarde para apresentar o balanço dos últimos 30 dias da situação. Pela manhã, ele esteve em reunião com o chefe do Executivo.

Segundo Mandetta, a determinação de paralisação no País tem reduzido os casos de acidentes e traumas, e, por consequência, mais leitos ficam disponíveis para outras situações

O ministro também afirmou que é importante diminuir a sobrecarga do sistema de saúde para que haja tempo de o governo comprar equipamentos de proteção para profissionais de saúde. Segundo ele, apesar de o Brasil estar negociando a compra dos produtos com a China, há uma dificuldade de transporte destes equipamentos. Em alguns casos, será necessário contratar aviões.

“Mais uma razão para ficar em casa, parados, até que a gente consiga colocar os produtos nas mãos dos profissionais de saúde que precisam. Se a gente sair andando todo mundo de uma vez, vai faltar para o risco, para o pobre, para todo mundo. Tem que ter racionalidade e não nos mover por impulso. Vamos nos mover como eu digo desde o princípio, pela ciência, pela parte técnica e com planejamento”, afirmou.

Segundo ele, quando o governo fala em ‘colapso’, não se refere apenas ao sistema de saúde, mas também na questão da logística. O ministro afirmou que a paralisação de voos em alguns estados atrapalha a entrega de equipamentos e medicamentos. Ele pediu para que todas as capitais do Brasil tenham, pelo menos, um voo, em horário estabelecido diariamente para entrega de material.

Por fim, Mandetta rejeitou qualquer tipo de comparação entre a Covid-19 e o surto de H1N1. “Essa epidemia é totalmente diferente da (epidemia) H1NI. Existe uma diferença enorme”, afirmou. “Esse vírus ataca o sistema de saúde e sociedade, ataca logística, educação, economia”, explicou, defendendo que as ações sejam guiadas pela ciência e pela parte técnica. “Aqueles que dizem que essa gripe só mata 5 mil, 7 mil… Não é assim a conta”, enfatizou.

Critica a carreatas

Em discurso contundente pela manutenção das medidas de isolamento para conter o avanço da Covid-19, Mandetta se posicionou contra as carreatas que ocorreram em diversos estados do País pela flexibilização da quarentena e a retomada de atividades econômicas. O ministro afirmou que o novo coronavírus entrou no Brasil por meio da elite econômica e que é preciso preservar o sistema de saúde brasileiro neste momento para garantir atendimento a todos.

“Fazer movimento assimétrico de efeito manada… Daqui a duas semanas, três semanas, os mesmos que falam ‘vamos fazer carreata’ vão ser os mesmos que vão ficar em casa. Não é hora”, declarou. “Essa doença entrou pela elite do Brasil, elite econômica. Aqui em Brasília, os casos são quase todos no Plano Piloto e no Lago Sul, não chegou na periferia do sistema. Como no Rio de Janeiro, a Barra da Tijuca, o Leblon, ainda não chegou, está começando a entrar nas comunidades”, acrescentou.

Cloroquina

Luiz Henrique Mandetta afirmou também que os estudos sobre a eficácia da cloroquina para o combate à Covid-19 ainda são muito incipientes. “Se sairmos com a caixa (de cloroquina) na mão dizendo que pode tomar, podemos ter um problema”, alertou.

Na última quinta-feira (26), o presidente Jair Bolsonaro, apareceu com uma caixa de Reuquinol (a base de hidroxicloroquina) na mesa durante participação da videoconferência do G-20.

*Com informações do Estadão Conteúdo