Marina Silva rebate Bolsonaro e diz que governo tem ‘amnésia ideológica e obsessão anti-ambiental’

  • Por Jovem Pan
  • 25/07/2019 20h24
JÚLIO ZERBATTO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOA ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva rebateu na noite desta quinta-feira (25) a declaração feita mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro ao prometer asfaltar a BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia. Em discurso, o presidente afirmou que, se dependesse de Marina, a via nunca seria asfaltada.

“O presidente precisa saber que não estamos mais nos idos dos anos 70, quando o governo militar incentivou a ocupação desordenada da Amazônia. Sempre é bom relembrá-lo, apesar do seu governo ser acometido por uma amnésia ideológica e obsessão anti-ambiental crônica”, escreveu Marina no Twitter.

“De fato, eu jamais construiria uma rodovia sem ter todos os cuidados e garantias legais em relação à preservação da floresta e à proteção dos direitos das comunidades locais que lá vivem há décadas, correndo o risco irresponsável de estimular a grilagem e o desmatamento desenfreado da Amazônia”, completou. 

“Um bom exemplo é a BR 163, que liga Cuiabá a Santarém. Também diziam que eu nunca iria asfaltar, porque é uma estrada que corta o arco do desmatamento e era objeto de desejo de 10 entre 10 grileiros e madeireiros. O interesse não era só ter a estrada, havia grupos interessados em ter acesso livre às terras públicas para grilagem. Na minha gestão, o IBAMA deu a licença ambiental para o asfaltamento da BR 163, mas com planejamento e controle ambiental. Até hoje a estrada não foi asfaltada por falta de investimento. O problema não é o asfalto, é o desmatamento. Dá para asfaltar sem desmatar, mas não é isso o que querem.”

Durante a tarde, Bolsonaro ainda elogiou o presidente Ernesto Geisel, responsável por inaugurar a BR-319, e prometeu obras na região, mesmo depois de ter recebido um “orçamento destruído”. A pavimentação da via para interligar o Norte do Brasil é uma demanda dos políticos e empresários locais.

O presidente também reforçou o discurso contrário às organizações não-governamentais (ONGs) de meio ambiente e o que chamou de “indústria” da demarcação de terras indígenas. “Muita coisa tem que ser desfeita no Brasil. O aparelhamento do Estado, a indústria da demarcação indígena (…). Queremos o casamento do meio ambiente com o desenvolvimento, com o progresso.”