Weintraub é o 10º ministro a deixar o governo Bolsonaro; média de 2020 é de uma saída por mês

Só neste ano, foram seis, e em 2019, quatro

  • Por Jovem Pan
  • 18/06/2020 17h09 - Atualizado em 18/06/2020 21h20
Wagner Pires/Estadão ConteúdoWeintraub assumirá a direção do Banco Mundial

Abraham Weintraub anunciou nesta quinta-feira, 18, que vai deixar o Ministério da Educação e será indicado para o cargo de diretor-executivo do grupo de países, conhecido como constituency, que o Brasil lidera no Banco Mundial. Ele é o 10º ministro a deixar o primeiro escalão do governo Bolsonaro. Só neste ano, foram seis – média de um por mês.

A saída de Weintraub acontece após uma série de polêmicas envolvendo o MEC e declarações dadas em redes sociais. No último domingo, ele participou de um ato de apoio ao governo em Brasília, não usou máscaras e foi multado em R$ 2 mil pelo governo do Distrito Federal. Além disso, é alvo do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news por ter falado em prisão de ministros da Corte e os xingado de “vagabundos”. Weintraub também é investigado por suposta prática de racismo ao ironizar a China.

Desde que Jair Bolsonaro tomou posse, no início de 2019, 10 ministros deixaram o governo, quatro no ano passado e seis neste ano. Dois também mudaram de pasta: Onyx Lorenzoni saiu da Casa Civil e foi para a Cidadania, e André Luiz Mendonça deixou a Advocacia-Geral da União para assumir o Ministério da Justiça depois da saída de Moro.

Nelson Teich

Último a sair, em 15 de maio, Teich deixou a pasta pouco antes de completar um mês. Ele teve divergências com o presidente Bolsonaro por opiniões sobre o combate ao coronavírus no Brasil. Teich era a favor do distanciamento social, enquanto Bolsonaro defende que apenas pessoas do grupo de risco fiquem em isolamento. Além disso, o ex-ministro da Saúde disse que a cloroquina deveria ser utilizada com restrições. O presidente, por sua vez, é um dos principais defensores do medicamento.

Sergio Moro

Sergio Moro pediu demissão do cargo no dia 24 de abril após a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral da Polícia FederalEle acusa Bolsonaro de ter interferido nos trabalhos da Polícia Federal, o que fez com que uma investigação fosse aberta contra o presidente. O ex-AGU André Luiz Mendonça assumiu a pasta.

Luiz Henrique Mandetta

Luiz Henrique Mandetta deixou o Ministério da Saúde no dia 16 de abril. O médico gaúcho foi demitido do cargo após conflitos com o presidente durante a condução da crise causada pelo novo coronavírus. Enquanto Bolsonaro queria que o País voltasse a funcionar e as pessoas continuassem trabalhando, o ministro defendia o isolamento social e pedia para que os brasileiros ouvissem os governadores estaduais, que, em maioria, assumiram posição contrária à do presidente.

Osmar Terra

Osmar Terra deixou o Ministério da Cidadania no dia 13 de março, sendo substituído por Onyx Lorenzoni, até então ministro da Casa Civil. O desgaste entre Terra e Bolsonaro começou quando o presidente decidiu transferir a Secretaria Especial da Cultura para o Ministério do Turismo em meio a uma crise na pasta.

Gustavo Canuto

O ex-ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, pediu demissão do cargo em 6 de fevereiro. Quem assumiu a pasta foi o então secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Canuto foi nomeado presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev).

Floriano Peixoto

O general Floriano Peixoto Vieira Neto saiu da Secretaria-Geral da Presidência em 21 de junho do ano passado e foi nomeado presidente dos Correios. Jorge Antônio de Oliveira Francisco, advogado, major da reserva da PM e subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, assumiu o cargo.

Santos Cruz

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República por decisão do presidente Jair Bolsonaro em 13 de junho de 2019, primeira baixa militar. Ele foi substituído pelo general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste.

Ricardo Vélez

Ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodriguez foi demitido em 8 de abril, após conflitos no Ministério da Educação provocados por desentendimentos entre assessores. Ele foi substituído por Abraham Weintraub.

Gustavo Bebianno

Gustavo Bebianno, que era ministro da Secretaria-Geral da Presidência, foi demitido em 18 de fevereiro de 2019 após desentendimentos com o presidente e seu filho Carlos Bolsonaro.