PCC movimentava até R$ 1 milhão por mês em 418 contas, diz PF

  • Por Jovem Pan
  • 06/08/2019 14h33
Arquivo/Agência BrasilNúcleo financeiro da facção foi alvo de operação nesta terça-feira

A Polícia Federal (PF) informou nesta terça-feira (6) que o núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), alvo da Operação Cravada deflagrada pela manhã, movimentava de R$ 800 mil a R$ 1 milhão por mês. Os valores seriam relativos aos gastos da facção com a sustentação da “estrutura de rede montada em volta das cadeias” e com a aquisição de drogas e armas.

De acordo com a PF, o núcleo era responsável por recolher e gerenciar as contribuições em âmbito nacional. O esquema consistia na arrecadação de valores de membros, chamados de “rifas”, cobrados de dois em dois meses, como uma mensalidade.

Esses detalhes foram apresentados em coletiva de imprensa. O coordenador da Operação, delegado Martin Purper, afirmou que a investigação encontrou planilhas que registravam a “contabilidade” da facção, inclusive com a indicação de dívidas. As pessoas que deixavam de pagar eram excluídas e deixavam de fazer parte da organização. Eventualmente ainda poderiam ser “castigadas” ou “pagavam com a prática de crimes”.

O repasse do dinheiro aos líderes da organização era feito em um esquema de “pirâmide”, por meio de diferentes contas bancárias. As 418 contas ligadas à facção identificadas e bloqueadas no âmbito da Cravada são “de passagem”, utilizadas para administrar valores, e eram utilizadas de maneira alternada.

Os valores eram utilizados “para pagar a aquisição de armas de fogo e de entorpecentes para a facção, além de providenciar transporte e manutenção da estadia de integrantes e familiares de membros da organização em locais próximos a presídios”, indicou a PF.

O coordenador da Cravada também apontou que planilhas relacionadas às penitenciárias federais “demonstraram que visitantes do presos recebiam valores como forma de contribuição por informações que entravam e saiam dos presídios”. A apuração identificou R$ 311 mil de gastos entre os visitantes por mês.

Os investigados podem responder pelos crimes de Tráfico de Entorpecentes, Associação para o Tráfico, Organização Criminosa, entre outros.

Fim das visitas

Cerca de 180 agentes da Cravada cumprem 85 mandados – 55 de busca e apreensão e 30 de prisão – em sete estados – São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais. Até o momento, a PF fez 28 prisões – oito delas em presídios e duas em flagrante, durante a realização de buscas.

No âmbito da operação, a Justiça ainda atendeu um pedido da investigação e determinou, se houver demanda, a interrupção de visitas para “impedir que os líderes da facção continuem dando ordens de dentro dos presídios”.

A medida tem relação com o método utilizado pelos membros da facção, que utilizavam bilhetes, chamados de “bate-bola”, para se comunicarem com os integrantes presos. Segundo Purper, os bilhetes são uma das principais formas de comunicação das facções. O delegado também indicou que nesta manhã foram apreendidos bilhetes que ainda seriam levados para dentro de unidades prisionais.

*Com Estadão Conteúdo