PF faz operação contra fraudes na Caixa de até R$ 500 milhões; CEO do Grupo Fictor é alvo

Rafael Góis e Luiz Rubini estão entre os alvos da Operação Fallax, que cumpre 43 mandados de busca e 21 prisões preventivas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia

  • Por Victor Trovão e Igor Damasceno
  • 25/03/2026 07h40 - Atualizado em 25/03/2026 12h12
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Divulgação / PF Operação PF Segundo a PF, o grupo atuava com a cooptação de funcionários de instituições financeiras e o uso de empresas para movimentar e ocultar recursos.

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Fallax para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, além de estelionato e lavagem de dinheiro.

Rafael Góis, CEO do grupo Fictor, e Luiz Rubini, ex-sócio da empresa, estão entre os alvos da operação. Em novembro, a Fictor tentou comprar o Banco Master horas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição.

Ao todo, são cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal paulista, em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

A investigação começou em 2024, após a identificação de um esquema estruturado para obtenção de vantagens ilícitas. Segundo a PF, o grupo atuava com a cooptação de funcionários de instituições financeiras e o uso de empresas para movimentar e ocultar recursos.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens, veículos e ativos financeiros até R$ 47 milhões para descapitalizar a organização. As fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 500 milhões. Foram autorizadas ainda quebras de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 jurídicas.

De acordo com as investigações, empresas de fachada eram usadas para dissimular a origem dos recursos, enquanto funcionários inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Os valores eram posteriormente convertidos em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento.

A operação contou com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção, com penas que podem ultrapassar 50 anos de prisão.

A Fictor informou à Jovem Pan que apenas o celular de seu CEO, Rafael Góis, foi apreendido durante a operação da Polícia Federal. Segundo a nota, a empresa afirmou ainda que, assim que a defesa tiver acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes.

A Jovem Pan tenta contato com a defesa do ex-sócio do Grupo Fictor, Luiz Rubini. O espaço está aberto para manifestação.

PF investiga Grupo Fictor

A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar o Grupo Fictor, que fez uma oferta para comprar o Banco Master, em novembro do ano passado, e entrou, no último domingo, 1º, com pedido de recuperação judicial.

Os crimes de que a empresa é suspeita são os de gestão fraudulenta, apropriação indébita, emissão de títulos falsos e operar instituição financeira sem autorização. No próprio pedido de recuperação judicial, o grupo menciona “eventuais ilícitos”.

O dono do Master Daniel Vorcaro afirmou à PF que tentou viabilizar a venda de seu banco à Fictor com a ajuda de investidores árabes. A operação, contudo, foi barrada pelo Banco Central, que determinou a liquidação da instituição financeira devido a suspeitas de fraudes na emissão de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos.

O BC considerou que a tentativa de compra era uma forma de mascarar a crise pela qual passava o Master, sem recursos para honrar compromissos com credores. No pedido de recuperação judicial, a Fictor diz que busca viabilizar o pagamento de R$ 4 bilhões em dívidas.

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