PF cumpre 36 mandados em operação contra fraudes em licitações na pandemia

O valor das contratações suspeitas de irregularidades chega a R$ 50 milhões; o dinheiro foi utilizado na aquisição de insumos médico-hospitalares básicos, material informativo impresso e leitos em hospitais particulares

  • Por Jovem Pan
  • 13/08/2020 10h25 - Atualizado em 13/08/2020 10h26
Dikran Junior/Estadão ConteúdoA ação conta com mais de 150 policiais federais, com apoio de servidores da Controladoria-Geral da União (CGU),  e cumprem 36 mandados de busca e apreensão em oito estados

A Polícia Federal realiza, nesta quinta-feira, 13, a Operação Vírion que mira suspeitos de integrar uma organização criminosa que fraudava licitações de produtos e serviços para o enfrentamento da Covid-19 no estado de Roraima. O valor das contratações suspeitas de irregularidades chega a R$ 50 milhões. O dinheiro foi utilizado na aquisição de insumos médico-hospitalares básicos, respiradores, testes rápidos, material informativo impresso e leitos em hospitais particulares. A ação conta com mais de 150 policiais federais, com apoio de servidores da Controladoria-Geral da União (CGU),  e cumprem 36 mandados de busca e apreensão em oito estados – Amazonas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Roraima, Santa Catarina – e no Distrito Federal. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

O nome da operação faz referência ao “estágio” do vírus no qual ele se encontra, de infecção. O inquérito policial indica que um ex-secretário de Saúde de Roraima teria se articulado com um deputado estadual para contratar empresas integrantes do esquema. Eles faziam o rateio de percentuais que seriam destinados às empresas. O parlamentar solicitava a servidores que dessem andamento aos processos e pagamentos de seu interesse, inclusive cobrando pagamentos antecipados destinados às empresas do esquema. Um ex-deputado estadual também atuaria na organização. As investigações sugerem que a organização criminosa se aproveitava da possibilidade de contratações diretas para facilitar os crimes. Os procedimentos não seguiam ordem cronológica, processos mais antigos eram preteridos em favor dos de interesse do grupo. Segundo a PF, o trâmite era concentrado em único setor da Secretaria de Saúde, sem qualquer transparência ou publicação. A Controladoria-Geral da União identificou vários indícios da prática de sobrepreço e de irregularidades nas contratações e pagamentos, além de falta de transparência na execução dos recursos federais destinados a Roraima, o que dificulta a própria fiscalização dos gastos.

*Com informações da Agência Brasil