Polícia Civil indicia três pessoas por desabamento de edifício Andrea, em Fortaleza

Dois engenheiros e um pedreiro foram indiciados. De acordo com a Polícia Civil, um somatório de fatores contribuiu para o desabamento do prédio, que provocou a morte de nove pessoas

  • Por Jovem Pan
  • 30/01/2020 16h12
XANDY RODRIGUES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOBombeiros encerram buscas após retirada do 9º corpo dos escombros do Edifício Andrea, em Fortaleza

A Polícia Civil do Estado do Ceará indiciou três pessoas pelo desabamento do edifício Andrea, em Fortaleza, que provocou a morte de nove pessoas, incluindo a síndica do prédio. As buscas pelas vítimas duraram quatro dias.

O edifício veio abaixo em 15 de outubro do ano passado e, de acordo com a Polícia Civil, o desabamento ocorreu devido a um somatório de fatores. Dois engenheiros e um pedreiro foram indiciados. No processo de investigação, mais de 40 pessoas foram ouvidas, entre sobreviventes e testemunhas.

O laudo técnico apresentado pela polícia ao delegado José Munguba Neto aponta a falha da empresa responsável pela reforma e também dos profissionais que atuaram nas obras do local. Dias antes do desabamento, moradores do edifício fizeram fotos e vídeos dos pilares centrais de sustentação do prédio com a estrutura exposta durante o período de obras.

O laudo aponta ainda que a técnica usada durante a obra foi “equivocada”. “O que prejudicou a estabilidade da estrutura; ausência de relatório da reforma e de escoramento das estruturas dos pilares de sustentação, conforme determina as Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); acréscimo de carga (sobrecarga) inserida sobre o pavimento da cobertura, que foi erguida após a construção da edificação que provocou a redução do coeficiente de segurança, e a falta de manutenção adequada da estrutura ao longo de sua existência.”

Ainda de acordo com a perícia, após a intervenção sofrida durante a reforma “a estrutura do prédio encontrava-se em seu estado limite de esforços. Outra falha responsável pelo colapso, principalmente dos pilares, que eram restaurados sem a devida escora, foi a falta de recobrimento com concreto, que agiria na compreensão”, dia a nota da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social.