Por 23 votos a 11, comissão especial rejeita PEC do voto impresso

Apesar do resultado, presidente da Casa, Arthur Lira, disse que a proposta pode ser levada à votação no plenário da Câmara, já que comissões têm caráter opinativo, e não conclusivo

  • Por Jovem Pan
  • 05/08/2021 21h05 - Atualizado em 05/08/2021 21h50
Najara Araújo/Câmara dos DeputadosA deputada Bia Kicis (PSL-DF), criadora e defensora da PEC, em comissão especial para votação do voto impresso auditável

A comissão especial da Câmara dos Deputados criada para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna obrigatório o voto impresso rejeitou o projeto por 23 votos contrários e 11 a favor nesta quinta-feira, 5. A decisão foi lamentada pelo deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), relator do texto, nas redes sociais. “Infelizmente, VOTO IMPRESSO + APURAÇÃO PÚBLICA foi rejeitado”, escreveu. A deputada Bia Kicis (PSL-DF), criadora e defensora da PEC, também se posicionou nas redes. “Dia lamentável para a democracia brasileira. Perdemos a batalha mas não a guerra”, afirmou, citando que o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), ainda pode enviar o projeto para análise da Câmara.

Em live realizada pelo Conjur no último dia 31, Lira explicou que o regimento interno da Casa permite que a votação seja encaminhada a plenário, mesmo que o texto tenha sido rejeitado pela comissão. Isso porque ela tem caráter opinativo, e não conclusivo. “As comissões especiais não são terminativas, são opinativas, então sugerem o texto, mas qualquer recurso ao plenário pode ser feito”, disse. Diante do parecer negativo, o deputado Junior Mano (PL-CE) deve redigir um novo texto contrário ao do antigo relator, Filipe Barros, ou seja, pelo arquivamento da PEC. Este novo parecer tem votação prevista na comissão para esta sexta-feira, 6, e, se aprovado, será enviado ao plenário. A votação na Câmara, porém, deverá ser marcada por Lira, que não tem prazo máximo para pautar o tema.

Falando a favor da PEC na sessão desta quinta, Kicis citou um relatório da Polícia Federal que traz informações cedidas pelo secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Dutra Janino, dizendo à corporação que “existe a possibilidade de manipulação de arquivos de configuração que alimentam o software da urna”. “As vísceras da fragilidade do sistema estão expostas, o povo foi às ruas para exigir transparência eleitoral”, disse, afirmando que não tem como provar fraudes, mas tem como provar uma invasão ao sistema. Falando contra o voto impresso, a deputada Fernanda Melchionna citou supostas “ameaças golpistas” do governo e disse que Jair Bolsonaro é “delinquente que acha que tem condições de ameaçar a realização das eleições”.