Raquel Dodge arquiva pedido de suspeição de Gilmar Mendes feito pela força-tarefa da Operação Lava Jato

  • Por Jovem Pan
  • 11/03/2019 18h59
Rosinei Coutinho/SCO/STF Gilmar Mendes, ministro do STF Ministro teria tido contato com investigados

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decidiu arquivar nesta segunda-feira (11) um pedido da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná para que fosse declarada a suspeição do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em julgamentos relacionados ao suposto operador do PSDB Paulo Vieira de Souza – o Paulo Preto.

A medida, se tivesse andamento, poderia retirar Gilmar da relatoria desses protestos. De acordo com procuradores, telefonemas e mensagens demonstraram que Aloysio Nunes (ex-senador e ex-ministro da gestão de Michel Temer) buscou interferir em julgamento de habeas corpus do suposto operador, em contato direto e pessoal com o ministro.

Na decisão, Dodge aponta que as informações trazidas pela força-tarefa “chamam atenção pela ousadia do investigado” em tentar interceder em favor de Paulo Petro. No entanto, ainda que isso tenha de fato ocorrido, aponta ela, o contato com o gabinete de Gilmar ou com o próprio ministro não “revelou amizade íntima” entre eles.

“Ainda que tenha efetivamente ocorrido, o contato com o gabinete ou com o próprio ministro não revelou amizade íntima entre ambos, nem, do ponto de vista objetivo, influiu, nem determinou o juízo valorativo do magistrado em relação ao réu ou à causa, vez que, na sequência dos fatos narrados, a decisão liminar foi revogada”, afirma.

Paulo Vieira de Souza e Aloysio Nunes foram alvo da Operação Ad Infinitum, a 60ª fase da Lava Jato, deflagrada em 19 de fevereiro. Nesta etapa, a força-tarefa mirou contas na Suíça atribuídas a Paulo Preto que chegaram à cifra de R$ 130 milhões. Um cartão de crédito teria sido emitido em benefício do ex-senador da República.

As investigações miram a suposta operação de Paulo Preto para agentes políticos e em pagamentos da Odebrecht a ex-diretores da Petrobras. Ao arquivar o pedido de suspeição, Dodge lembrou ainda que, em torno de Paulo Vieira de Souza, Gilmar chegou a revogar recentemente uma liminar que beneficiava o suposto operador.

*Com informações do Estadão Conteúdo