Rio de Janeiro: Sobe para 15 o número mortos em ação policial em morro

  • Por Jovem Pan
  • 12/02/2019 14h36 - Atualizado em 12/02/2019 14h37
Betinho Casas Novas/Estadão ConteúdoMãe de vítima acusa policiais de terem esfaqueado jovem durante ação

Subiu para 15 o número de mortos em ações da Polícia Militar em morros do Rio de Janeiro. A atuação dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope), tropas de elite, havia deixado 13 vítimas fatais no Morro do Fallet, na região central, na última sexta-feita (8). Contudo, moradores da região encontraram mais dois corpos no domingo (10).

A ação da PM também se estendeu por comunidades vizinhas – como Coroa e Fogueteiro -, no bairro do Rio Comprido, e também no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A Defensoria Pública vai acompanhar o caso e dar assistências às famílias.

Mãe de uma das vítimas, Tatiana Antunes de Carvalho foi ao Ministério Público para pedir ajuda. De acordo com ela, os rapazes foram executados e não houve troca de tiros. O filho dela, Felipe Guilherme Antunes, de 21 anos, teria morrido a golpes de faca e não a tiros.

“Eles mataram todo mundo. Barbarizaram a comunidade à toa. Eles são assassinos. Não foi só o meu filho. Preciso de Justiça, meu Deus. Eles mataram meu filho de faca. São covardes”, afirmou Tatiana, que também é tia de Enzo Carvalho, outra vítima da ação. “Eles não tinham mandado nenhum para sair matando. Eu vou até o final. Não vou me calar.”

“Eles [os policiais] não pegaram o menino com nada. Não importa o que eles eram. Eles tinham que prender. Meu filho não tinha um tiro. Não teve troca de tiro nenhuma. Meu filho morreu a facada. Quebraram o crânio dele, quebraram o pescoço do meu filho. Eles não têm direito de chegar na comunidade e fazer o que eles fizeram.”

Ação policial

Depois de receber denúncia anônima de que vários criminosos estavam escondidos em casa na Rua Eliseu Visconti, no Morro do Fallet, policiais do Batalhão de Choque cercaram a residência e invadiram o local. Na casa, estavam 20 jovens, alguns adolescentes. Segundo a PM, 13 foram mortos no confronto e alguns conseguiram escapar.

Os corpos das vítimas foram levados em carro aberto da PM ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Os médicos de plantão disseram que os jovens já chegaram sem vida. Dois foram levados feridos e operados na unidade de saúde e permanecem internados.

Em nota, a PM informou que os jovens que estavam na casa “reagiram à voz de prisão” e atiraram contra os militares. “Desde a madrugada, as equipes policiais atuam nas comunidades devido a tiroteios na região, provocados por disputa entre grupos criminosos”, informou a corporação por meio de nota.

“A partir de denúncias e informações do Setor de Inteligência, foi feita uma varredura em alguns pontos da comunidade do Fallet. Policiais do Choque foram recebidos a tiros e houve confronto. Após cessarem os disparos, dez criminosos feridos foram encontrados em vias da comunidade e foram socorridos para o Hospital Souza Aguiar.”

Em Santa Teresa, a PM informou que policiais do Bope apreenderam duas pistolas automáticas, dois rádios comunicadores e um celular após confronto com criminosos. Duas pessoas feridas foram levadas pela PM a atendimento médico.

No domingo, moradores encontraram mais dois corpos na mata: Matheus Lima Diniz, de 22 anos, e Michel da Conceição de Souza, de 20, mortos a tiros. Eles disseram que os dois rapazes foram presos na sexta-feira e estavam desaparecidos.

Defensoria

Nesta terça-feira (12), representantes da Defensoria Pública vão participar de encontro, na Associação de Moradores do Fallet, com parentes das vítimas e testemunhas da ação da PM para tomar conhecimento de todos os detalhes das mortes na comunidade e avaliar as medidas de assistência que serão tomadas.

O ouvidor-geral do órgão, Pedro Strozenberg, disse que, por enquanto, as informações não são conclusivas. “A polícia diz que houve troca de tiros, criminosos reagiram e ocorreram as mortes. Vamos lá tomar conhecimento se seria evitável esse número.”

*Com informações do Estadão Conteúdo