Simone Tebet diz que interferência de Onyx no Senado põe governabilidade de Bolsonaro em risco

  • Por Jovem Pan
  • 22/01/2019 18h25 - Atualizado em 22/01/2019 18h25
Reprodução/Facebook Simone Tebet Simone Tebet anunciou na segunda-feira que deseja concorrer à presidência do Senado

Líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MS) afirmou nesta terça-feira (22) que decidiu entrar na disputa pela presidência da Casa após receber sinalizações de que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, estaria realizando “interferência” em prol do DEM, ao qual ele é filiado, na eleição interna. Para ela, isso coloca votações em risco.

Em declaração a jornalistas, a senadora disse que a movimentação de democratas é “totalmente equivocada” e poderia colocar em risco tanto a governabilidade do presidente Jair Bolsonaro quanto reformas como a Previdência. As mudanças legislativas são vistas como fundamentais para a nova gestão e devem ser apresentadas já em fevereiro.

“Acho que tem ruído de interferência da Casa Civil aqui no Senado e isso foi uma das razões [por] que entendi que tinha que colocar minha candidatura: para ver se realmente o governo está preterindo o MDB. A informação e o feedback que recebi é que não é o governo, mas o DEM, que quer disputar independentemente de quem seja o candidato do MDB.”

Segundo ela, interessaria ao DEM a candidatura de Renan Calheiros “porque, mesmo com voto fechado, [eles] acham que poderiam ganhar” do MDB. “Isso é algo que está circulando dentro do Senado e que, a princípio, está totalmente equivocado. Eles estão equivocados e estão prejudicando o governo porque eles são governo”, afirmou.

Para Simone Tebet, o partido de Onyx está “colocando a presidência do Senado como um fim em si mesmo e esquecendo da governabilidade”. Ela acredita que os emedebistas devem ficar com o cargo por terem eleito a maior bancada da Casa no ano passado. Se o DEM desrespeitar a regra, pode prejudicar votações de interesse do governo.

Nos bastidores, Onyx vem estimulando o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) a continuar em campanha e conquistar os votos necessários para vencer a disputa. “Qual foi o grande recado que chega para a líder e para a bancada: ‘nós [o governo] não queremos o Renan, o Renan não serve para o governo’. Isso foi dito lá atrás, não sei ainda se é isso.”

“Agora, se o MDB optar por uma outra candidatura [que não a de Renan], por que preterir o MDB a favor do DEM? Então o fim em si mesmo é a presidência [do Senado] e não a governabilidade? Não pode esquecer que tem reforma da Previdência para votar. Não se vota reforma já de pronto sem ter a maior bancada apoiando”, alertou.

Apesar do MDB negar que o senador Renan Calheiros também seja candidato à presidência da Casa, Simone trata o colega de partido como adversário na disputa pela preferência da bancada. A senadora do Mato Grosso do Sul disse acreditar que tem apoio da maioria dos senadores do partido, mas que a sigla não sairá dividida desse debate.

“Fui procurada por colegas da bancada dizendo claramente: precisamos agir, estamos vendo uma movimentação forte do DEM. Tudo que o DEM quer é derrotar o Renan e ter a presidência do Senado. Por conta dessa movimentação, nós precisávamos mostrar que o MDB vem com um nome para ganhar a eleição, pode ser meu e pode ser o do Renan.”

*Com informações do Estadão Conteúdo