Temer reúne senadores e destrava obras na véspera de decisão sobre impeachment

  • Por Estadão Conteúdo
  • 09/08/2016 09h05
Brasília, DF, Brasil: O Presidente interino Michel Temer anuncia a nova norma do Programa Minha Casa Minha Vida em cerimônia no Palácio do Planalto. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)Michel Temer - Agência Brasil

O presidente em exercício Michel Temer recebeu, na última segunda-feira, 8, no Planalto, um grupo de senadores para definir um pacote de 1.519 obras paralisadas. O encontro ocorreu na véspera da votação no plenário do Senado do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) sobre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. 

A retomada dessas obras, com valores entre R$ 500 mil e R$ 10 milhões, totalizando R$ 1,8 bilhão, atende a um pedido dos senadores e, indiretamente, é uma forma de fazer um afago a eles – responsáveis pela análise final do impeachment.

Na segunda-feira, oficialmente, o Planalto tentou demonstrar distância da garantia de votos dos senadores. A votação desta terça-feira, 9, embora exija maioria simples para dar andamento ao processo, será uma prévia dos números que Temer terá, no fim de agosto, para garantir ou não a permanência no cargo. 

A definição das obras seria anunciada no dia 2, mas foi adiada para esta segunda.

Dos quatro senadores presentes, apenas Hélio José (PMDB-DF) não declarou seu voto, embora na admissibilidade do processo tenha votado contra Dilma. Interlocutores do Planalto dizem que ele deve votar pelo impeachment.

‘Sinal’

“Esta reunião – e a definição da retomada das obras – é uma demonstração clara aos senadores que, se o presidente Temer permanecer no Planalto, acabará o cemitério de obras paralisadas”, disse o senador. Hélio José afirmou que Temer sinalizou que, concluída esta primeira fase, será dado início à segunda etapa, com 365 obras com valores entre R$ 10 milhões e R$ 100 milhões, totalizando desembolsos de R$ 6,94 bilhões. “Isto é outro sinal positivo.”