Vacina da Pfizer não foi causa provável de morte de adolescente, diz governo de SP

Análise realizada de forma conjunta por 70 profissionais conclui que jovem tinha ‘Púrpura Trombótica Trombocitopênica’, doença rara e sem causa definida

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2021 19h48 - Atualizado em 17/09/2021 19h51
MAURO AKIIN NASSOR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOVacina da Pfizer é a única aprovada para aplicação em adolescentes no Brasil

A Secretaria da Saúde de São Paulo informou ter diagnosticado uma doença autoimune na adolescente de 16 anos que morreu sete dias após receber uma dose da vacina da Pfizer em São Bernardo do Campo, no Grande ABC. Segundo o órgão, o jovem provavelmente faleceu devido à “Púrpura Trombótica Trombocitopênica” (PPT), uma doença rara e grave, a qual ainda não se sabe o que pode causá-la. É impossível atribuir relação causal entre a vacina aplicada e a doença. A análise foi realizada de forma conjunta por 70 profissionais reunidos pela Coordenadoria de Controle de Doenças e do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo e será submetida à Anvisa, que também investiga o caso e ainda não divulgou conclusões.

“As vacinas em uso no país são seguras, mas eventos adversos pós-vacinação podem acontecer. Na maioria das vezes, são coincidentes, sem relação causal com a vacinação. Quando acontecem, precisam ser cuidadosamente avaliados. Os eventos adversos graves, principalmente aqueles que evoluem ao óbito, são discutidos com uma comissão de especialistas para se ter uma decisão mais precisa sobre a relação com a vacina. Quando um caso vem à tona sem que este trabalho esteja finalizado, cresce o risco de desorientação, temor, de rejeição a uma vacina sem qualquer fundamento, prejudicando esta importante estratégia de saúde pública que é a campanha de vacinação”, comentou o infectologista do CVE, Eder Gatti, que coordenou a investigação.

A secretaria destacou ainda que pessoas com histórico de doenças autoimunes, ou seja, causadas por autoanticorpos, podem receber as vacinas contra Covid-19 disponíveis no país, e devem consultar o médico em caso de dúvida. O caso da jovem foi citado pelo ministro da saúde, Marcelo Queiroga, como um dentre os eventos adversos que precisavam ser investigados ao justificar a suspensão da vacinação em adolescentes entre 12 e 17 anos, em postura classificada como “intempestiva” pelo governo paulista.

Segundo o ministro, a suspensão da vacinação em adolescentes entre 12 e 17 anos sem comorbidades ocorreu por uma “questão de cautela”, por considerar que as evidências científicas que demonstrariam os benefícios da vacinação para os adolescentes ainda não estão consolidadas, e que seria necessário investigar 1,5 mil eventos adversos teriam ocorrido — ou seja, 0,042% do total de adolescentes vacinados no Brasil, de 3,5 milhões. A decisão foi criticada por sociedades médicas e secretários municipais e estaduais da saúde, que consideram um erro limitar a vacinação neste momento.