Suspeito de estuprar menina de 10 anos acusa avô e outro tio do mesmo crime

Declaração teria sido feita em vídeo antes da prisão realizada nesta terça-feira, 18; delegado afirma que caso foi encaminhado ao Ministério Público

  • Por Rafaela Lara
  • 18/08/2020 20h40
PixabayTio acusado de estuprar e engravidar sobrinha de 10 anos foi preso nesta terça-feira, em Betim, Minas Gerais

Poucas horas após a prisão de R. H. de J, de 33 anos, acusado de estuprar e engravidar a sobrinha de 10 anos, em São Mateus, no Espírito Santo, um vídeo gravado pelo suspeito passou a circular nas redes sociais e grupos de WhatsApp. Nas imagens, o homem, preso nesta terça-feira, 18, em Minas Gerais, acusa o avô da criança e outro tio de cometerem o mesmo crime. “Só peço uma coisa: da mesma forma que vão fazer um exame meu, quero que façam o exame do avô dela e do filho do avô dela que moravam na casa”, diz o homem. Para a Polícia Civil, as declarações são graves e serão apuradas.

O superintendente de Polícia Regional Norte, delegado Ícaro Ruginski, confirmou à Jovem Pan que a polícia teve conhecimento do vídeo após a prisão do acusado. “Tão logo foi efetivada a prisão dele, essas imagens surgiram e foram difundidas por alguém, provavelmente, a mando dele na internet. Ele faz acusações muito graves, mas, ao que tudo indica, os abusos eram cometidos apenas por ele – todos os fatos demonstram isso, mas a polícia não descarta nenhuma hipótese de pronto”, disse.

Após a prisão, o inquérito que trata do estupro de vulnerável foi concluído. “Demos toda a celeridade necessária para o caso. Agora, está nas mãos do Ministério Público determinar novas diligências. O cidadão foi interrogado nesta tarde e, se o MP entender que pode ser verdade o que ele diz, pedirá novas diligências”, disse o delegado. Segundo a Polícia Civil, R. H. de J foi interrogado nesta terça e o caso segue em segredo de Justiça. Os familiares da menina ainda não foram ouvidos após as declarações gravadas em vídeo pelo suspeito. “É um caso repugnante, triste e lamentável, que causou muita comoção na sociedade, mas hoje concluímos uma etapa importante: a prisão. É muito difícil falar sobre o caso, mas, na questão policial, nós trabalhamos da forma mais rápida possível. Os familiares da menina ainda não foram ouvidos sobre as alegações do vídeo e isso ficará a cargo do MP determinar novas diligências”, disse Ruginski.

A Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Espírito Santo informou, em nota enviada à Jovem Pan, que está em contato com a “Secretaria Municipal de Assistência Social de São Mateus/ES, órgão responsável por acompanhar o caso, para se certificar de que foram adotadas todas as medidas necessárias para a proteção integral da criança, bem como contato com o Conselho Tutelar que atende o caso para buscar informações e fundamentações das ações realizadas”. A secretaria comunica, ainda, que continuará acompanhando de perto a questão. A nota informa também que programas de proteção serão ofertados à família para inclusão da menina.

Prisão em Minas Gerais

Após repercussão do caso, o suspeito que estava foragido foi localizado na cidade de Betim, em Minas Gerais, localizada a 640 quilômetros de São Mateus, onde o crime ocorreu. Segundo Ruginski, o suspeito foi localizado na casa de parentes. “Desde que tomamos conhecimento do caso, agimos bem rápido e tivemos o parecer do MP pela prisão e, a partir de então, fizemos um levantamento para localizá-lo e recebemos a informação de que ele estava em outro estado. No momento, quando ele viu que não tinha como escapar, ele confessou o estupro para os policiais”, disse. O caso ganhou notoriedade após a vítima obter autorização para realizar a interrupção da gravidez. 

No hospital, houve bate-boca entre grupos religiosos contrários ao aborto e outros que defendiam a interrupção da gravidez, conforme determina a lei em casos de estupro. O procedimento foi realizado no domingo e finalizado nesta segunda. Após a militante bolsonarista, Sara Giromini, expor os dados da menina vítima do estupro na internet, as contas dela no Youtube, Instagram e Picpay estão fora do ar. As informações expostas por Sara levaram religiosos e ativistas contrários ao aborto para a porta do hospital onde a menina realizaria o procedimento de interrupção da gravidez. O MP do Estado ainda vai analisar áudios e conversas de pessoas que estariam pressionando familiares da menina para continuar com a gravidez.