Candidato governista garante transparência nas eleições da Argentina
Mar Marín.
Buenos Aires, 27 set (EFE).- Favorito nas enquetes à presidência da Argentina, o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, rejeita o fantasma da fraude e, em entrevista à Agência Efe, afirmou que a transparência “está garantida” nas eleições presidenciais de outubro.
“Está garantida a transparência, a fiscalização do voto e o respeito à soberania popular”, assegurou Scioli em resposta às denúncias da oposição sobre o fantasma de fraude nos pleitos do próximo dia 25 de outubro.
“A oposição, ao invés de estar todo o tempo desenterrando esses fantasmas, tem que buscar propostas construtivas para a sociedade”, acrescentou, minimizando a importância do escândalo das recentes eleições na província de Tucumán, canceladas por um juiz após denúncias por indícios de fraude no triunfo do candidato governista e validadas depois por uma corte provincial.
Imerso em uma frenética campanha eleitoral, Scioli conseguiu, até agora, combinar sua atividade política com sua paixão pelo esporte e continua jogando com seu time de futebol de salão, o Villa La Ñata, todos os sábados à noite.
É preciso esperar o final da partida na quadra do Villa La Ñata, a cerca de 50 quilômetros de Buenos Aires, para que o governador volte a encarnar o papel de candidato e responder as perguntas da Efe.
Sua trajetória esportiva, segundo ele, definiu sua atitude política: “Venho do esporte. Não quero que o outro se saia mal, é preciso exigir as coisas e superá-las”, ponderou Scioli, que perdeu seu braço direito em um acidente quando competia com uma lancha, antes de abandonar o esporte profissional e saltar à política sob a tutela do ex-presidente Carlos Menem.
Acompanhou também o falecido Néstor Kirchner, antes de assumir o governo de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral de país.
Aos 58 anos, e após uma longa trajetória, rejeita definir-se como candidato de mudança ou de continuidade do legado kirchnerista: “Cuidarei do que tiver que cuidar e corrigirei o que tiver que corrigir”, costuma dizer.
Também não quer incorporar-se como um político de esquerda, direita ou centro: “Sou um trabalhador incansável para buscar sempre soluções que não são de direita ou de esquerda, são soluções com diferentes temas que você enfrenta com a sensibilidade e firmeza que é preciso ter”.
O kirchnerista se define como o candidato “da grande agenda do desenvolvimento argentino” e “o candidato que transmite confiança, coerência, previsibilidade e certeza”.
Daniel Scioli evita falar da herança que receberá se chegar à Casa Rosada, a sede do governo argentino, mas aponta algumas receitas para os temas prioritários, como a economia, rejeita políticas de ajuste e aposta em incentivar o crescimento.
“Investimento, produtividade e eficiência econômica” é sua fórmula para frear a elevada inflação que assola a Argentina e que organismos independentes situam acima de 25%.
Entre as prioridades de sua agenda de governo está a política externa: “Vou sair pelo mundo para promover a Argentina em energia, setor agroalimentar, turismo… Quero trazer investimentos para o país em todos os setores”.
Assim que deixa de responder as perguntas, Scioli é cercado por dezenas de simpatizantes que lhe arrastam de novo para a quadra para posar com o candidato “artilheiro”, como lhe conhecem seus companheiros de equipe. EFE
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