Começa campanha eleitoral argentina em meio a crise política provincial
Buenos Aires, 20 set (EFE).- A campanha para as eleições de 25 de outubro na Argentina começou neste domingo em meio a crise aberta pela anulação da eleição provincial em Tucumán, no norte do país, e pela incógnita de se será necessária um segundo turno para escolher o sucessor da presidente Cristina Kirchner.
O início da campanha coincidiu com a eleição para o governo da província de Chaco, o último teste eleitoral antes das eleições gerais de outubro.
Os partidos políticos estão hoje com os olhos voltados para esta província, uma das mais pobres do país, que possui 2,6% dos eleitores, mas especialmente para Tucumán, à espera da definição da Suprema Corte sobre a nulidade da eleição de 23 de agosto, ditada por um tribunal inferior.
A sentença favorável à oposição, que alegou fraude, provocou uma inundação de críticas do governo, que ficou sozinho no reconhecimento do triunfo de seu candidato a governador, Juan Manzur.
A decisão teve outra consequência: abriu um debate sobre a necessidade de aplicar novas medidas que garantam a transparência eleitoral no pleito de outubro.
O objetivo é evitar irregularidades como as detectadas em Tucumán, que incluíram denúncias de fraude e queima de urnas, e evitar a judicialização também desta votação.
A justiça eleitoral estuda as medidas apresentadas pela oposição, como uma capacitação obrigatória para as autoridades de mesa e um desenho da ata de apuração que evite a má interpretação dos números por uma eventual caligrafia confusa. Também vê com bons olhos medidas apresentadas por ONGs, como uma urna complementar com todas as cédulas, de modo que o roubo delas seja inútil.
O terremoto político de Tucumán teve pouca repercussão nas intenções de voto dos argentinos, a julgar por três pesquisas publicadas hoje pelo jornal “Clarín”.
O candidato da governante Frente para a Vitória, Daniel Scioli, que obteve 38,6% dos votos nas primárias de 9 de agosto, possui entre 35,1% e 41,2% das intenções de voto.
Scioli aparece longe dos 45% necessários para ser eleito no primeiro turno e, caso os prognósticos se confirmem, só poderia festejar se superar os 40%, mas com mais de 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, uma possibilidade que duas dos três pesquisas descartam.
O conservador Mauricio Macri, líder da coalizão opositora Mudemos, que tem entre 28,2% e 31,1%, confia em forçar um segundo turno em novembro e atrair aí os apoios das outras opções de oposição que querem por fim a 12 anos de kirchnerismo. EFE
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