Cuba e EUA dialogam com respeito mas mantêm suas posturas sobre migração

  • Por Agencia EFE
  • 21/01/2015 18h27
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Havana, 21 jan (EFE).- Cuba e Estados Unidos tiveram nesta quarta-feira um “diálogo respeitoso” sobre assuntos migratórios, mas mantiveram ainda suas posturas discordantes sobre a vigência da Lei de Ajuste e a política americana de “pés secos – pés molhados” para à ilha.

O subsecretário adjunto para a América Latina do Departamento de Estado, Alex Lee, indicou em entrevista coletiva, que os Estados Unidos “estão totalmente dispostos a manter a Lei de Ajuste cubano, que continuará guiando” a política migratória de seu país para com Cuba.

A lei, vigente desde 1966, junto com a política de “pés secos – pés molhados”, privilegia os cubanos que conseguem tocar o território americano e permite que solicitem residência permanente um ano depois; já os interceptados no mar são devolvidos a Cuba.

Por sua vez, a diretora geral para os EUA do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, Josefina Vidal, criticou a permanência dessa lei, que consideram “o principal incentivo à emigração ilegal e ao tráfico de pessoas para os Estados Unidos”.

A diplomata cubana explicou que a Lei de Ajuste “confere aos cubanos um tratamento preferencial, exclusivo e único” para regular sua situação nos Estados Unidos, o que, segundo ela, provocou um “aumento na fraude de documentos com a intenção de entrar nos EUA”.

Vidal também indicou que a política “pés secos – pés molhados” “encoraja profissionais de saúde cubanos a abandonarem suas missões em terceiros países, o que é uma prática reprovável de fuga de cérebros que vai contra os acordos migratórios”.

Apesar destas diferenças, tanto Vidal como Lee ressaltaram o “clima de respeito e o espírito construtivo” em que se desenvolveram as conversas, nas quais os dois países reiteraram o compromisso de chegar a uma migração “legal, segura e ordenada”, propósito dos acordos para um diálogo migratório assinados em 1994, após o episódio da “crise dos balseiros”.

Cuba reconheceu que os Estados Unidos “está cumprindo os acordos migratórios no que se refere a outorgação de pelo menos 20 mil vistos por ano para emigrantes cubanos”, e que houve um aumento dos vistos temporários para cubanos.

As partes também concordaram em ampliar a cooperação contra a emigração ilegal e manter periodicamente reuniões técnicas como as que já acontecem entre os serviços de guarda-costeira dos EUA e de Cuba.

Além disso, pactuaram realizar em breve, em data ainda a determinar, um encontro técnico sobre a fraude de documentos, avançou Vidal.

O representante dos Estados Unidos informou que também abordaram na reunião outros temas como os programas de reunificação familiar e o retorno dos ” excludentes”, cubanos residentes nos EUA que o governo americano quer que “retornem à ilha”, fundamentalmente porque quebraram a lei.

“É obrigação de todos os países aceitar seus cidadãos”, assinalou Lee.

Ele também ressaltou que o fato de as conversas terem sido “produtivas e com espírito de parceria prova que apesar das diferenças, existem oportunidades para continuar trabalhando em temas de interesse mútuo”.

As conversas migratórias de hoje são o primeiro contato entre as delegações dos dois países desde que o restabelecimento das relações diplomáticas foi anunciado em 17 de dezembro embora esta nova rodada do diálogo migratório estivesse convocada há meses.

No entanto, as partes aproveitaram a reunião para iniciar amanhã as primeiras negociações oficiais sobre a normalização de seus vínculos diplomáticos, encontros que serão liderados pela secretária de Estado para a América Latina, Roberta Jacobson. EFE

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