Dilma propõe pacto nacional contra corrupção e defende Petrobras

  • Por Agencia EFE
  • 01/01/2015 17h48
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Brasília, 1 jan (EFE).- A presidente Dilma Rousseff propôs nesta quinta-feira, em seu discurso de posse no Congresso, um grande pacto nacional de combate à corrupção e uma investigação rigorosa dos desvios denunciados na Petrobras, mas pediu para que a companhia seja preservada de “inimigos externos”.

“Estou propondo um grande pacto nacional contra a corrupção que envolva todas as esferas do governo e todos os segmentos de poder”, afirmou a governante no discurso no plenário do Congresso após jurar o cargo para seu segundo mandato de quatro anos.

Dilma declarou que o primeiro passo nesse pacto serão as medidas que prometeu na campanha para as eleições de outubro. Entre essas medidas, ela citou as que permitem punir com rigor funcionários públicos que enriqueçam ilicitamente; uma destinada a agilizar os processos judiciais que envolvem desvios de recursos públicos, e a que facilita o julgamento de políticos com foro privilegiado.

“Quero mais transparência e mais combate a todo tipo de crimes, especialmente a corrupção, e quero que o braço forte alcance a todos de forma igualitária”, afirmou Dilma no primeiro discurso de seu segundo mandato, que começa afetado por um gigantesco escândalo de desvio de recursos na Petrobras.

A governante disse que, para facilitar o combate à corrupção, o país precisa adotar práticas políticas mais éticas e saudáveis, e que isso só é possível por meio de uma “ampla e urgente reforma política”. Ela admitiu, no entanto, que essa reforma depende do Congresso, mas pediu que seu debate se estenda não só aos parlamentares, mas a toda a população.

Apesar de ter se comprometido a combater com rigor as irregularidades na Petrobras, Dilma afirmou que a empresa tem que ser defendida de ameaças internas e externas.

“A Petrobras é uma empresa com 86 mil funcionários dedicados e sérios, que teve infelizmente alguns funcionários que não souberam honrá-la. Vamos investigar com rigor tudo o que aconteceu de errado e fortalecê-la cada vez mais, assim como criar mecanismos que evitam que fatos como esse possam voltar a ocorrer”, disse.

Dilma assegurou que a empresa tem que ser defendida por ser um orgulho nacional e uma empresa estratégica para o país.

“Temos muitos motivos para defender a Petrobras de predadores internos e de seus inimigos externos”, frisou.

“Não podemos permitir que seja alvo de um cerco especulativo de interesses contrariados com o regime de associação e da política de conteúdo nacional, que garantiram a nosso povo o controle sobre nossas riquezas petrolíferas”, afirmou.

O chamado regime de associação garantiu à Petrobras o monopólio no exploração, em associação com o Estado e sem disputa com outras empresas, das enormes reservas que descobriu na área geológica do pré-sal.

A real dimensão do escândalo de corrupção na companhia será revelado no fim de fevereiro, quando se prevê que a Procuradoria Geral da República, responsável pela investigação do caso, apresentará a denúncia formal à justiça e encerrará o segredo judicial que até agora que se saiba quem são muitos dos envolvidos.

Mesmo assim, a certeza de que entre eles há membros da base governista dificultou a Dilma a formação do Gabinete para seu novo mandato, devido ao risco, admitido pela própria presidente, de nomear entre seus ministros algum político corrupto.

As denúncias na Petrobras praticamente paralisaram a empresa e provocaram uma perda de cerca de 40% em seu valor de mercado no ano passado.

O escândalo também tem na mira das investigaçõesgrandes empresas acusadas não só de formar um cartel para vencer as licitações, mas também de pagar milionários subornos em troca dos negócios com a estatal.

Os recursos desviados, segundo admitiram alguns dos envolvidos, foram transferidos a diferentes partidos políticos, incluindo o PT e outros da base aliada do governo. EFE

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