Alta dos juros desacelera a economia, mas não causa recessão, diz Guedes às vésperas da decisão do BC

Em evento com empresários da indústria, ministro da Economia rebateu críticas e afirmou: ‘Quando olho para o futuro, não consigo ver o Brasil não crescer’

  • Por Jovem Pan
  • 07/12/2021 13h50
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOMinistro da Economia disse que Brasil deve encerrar 2022 com mais de R$ 1 trilhão em investimentos contratados

Às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sobre a nova alta da Selic, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira, 7, que a escalada dos juros leva ao desaquecimento das atividades, mas não o suficiente para causar uma recessão. O chefe da equipe econômica justificou a visão mais otimista como resposta ao “ceticismo” de adversários políticos que saíram derrotados nas últimas eleições. “Temos que reagir a isso, e não com ufanismo. Reagimos dizendo: ‘olha, a inflação está subindo, é um problema no mundo inteiro. O Banco Central está subindo os juros, isso desacelera o crescimento, mas não causa recessão'”, afirmou Guedes em um evento com empresários, promovido pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). O BC divulga depois das 18h30 desta quarta-feira, 8, o novo patamar dos juros em meio à deterioração das expectativas da inflação para este ano e 2022. O consenso dos analistas é por uma nova alta de 1,5 ponto percentual na Selic, elevando a taxa básica de juros da economia brasileira para 9,25% ao ano. Caso se confirme, a Selic vai virar o ano no maior patamar desde 2016, quando foi a 13,75%.

Ao citar os investimentos realizados no país e a transformação das matrizes econômicas para eixos sustentáveis e digitais, Guedes afirmou que, quando olha para o futuro, “não consigo ver o Brasil não crescer”, acrescentando que “evidentemente há dificuldades pela frente”. O ministro também voltou a criticar quem prevê forte queda para a economia no próximo ano e disse novamente que as atividades voltaram em “V” — quando uma forte queda é sucedida por uma alta arrojada. “O ceticismo vai sendo rolado ano a ano à medida que se frustram as piores expectativas. O Brasil voltou em ‘V’, subiu 5,5%, preservou 11 milhões de empregos no setor privado, protegemos 68 milhões de brasileiros e voltamos com as reformas estruturantes. Surpreendemos pela segunda vez os céticos, principalmente quem nos olha lá de fora com o olhar dos perdedores da eleição”. O mercado financeiro estima que o Produto Interno Bruto (PIB) encerre este ano com alta de 4,71%, enquanto para o ano que vem o desempenho é estimado o avanço de 0,51% — com entidades projetando, inclusive, resultado negativo. Aos empresários, Guedes classificou como “conversa fiada” e “falsas narrativas” as críticas de que o país vive um momento de descontrole dos gastos públicos. “Chegamos com um déficit de 2% do PIB, e no primeiro ano puxamos para 1%. Chegou a doença, fomos a 10,5% do PIB, e esse ano vamos fechar com 1% do PIB. Nenhum país do mundo fez isso”, afirmou. “Não faltou dinheiro para a saúde, mas isso não virou farra eleitoral para ninguém. O déficit, no ano seguinte, voltou para o que era antes.”

Guedes também voltou a defender a agenda de reformas e afirmou que não faltou empenho do governo federal em encaminhar as propostas para destravar a economia. “As reformas estão lá [no Congresso]. Quem pede a reforma administrativa, está lá, já foi entregue. Quem pede a reforma da tributação, está lá. Está tudo lá, é só aprovar”, disse. Aos empresários da indústria, o ministro da Economia ainda disse que a reforma da Previdência aprovada ao fim do primeiro ano do governo ficou aquém do esperado pela equipe econômica. “Não fizemos completa, queríamos fazer mais, queríamos colocar um sistema de capitalização com poupança garantida. O Brasil estaria assegurando maiores taxas de juros de investimento e crescimento futuro, mas nos deixaram fazer só pela metade”, disse.