Alta dos juros vai acabar quando atingirmos a meta da inflação, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central reitera não haver mudanças no arcabouço da política monetária e diz que Selic ‘vai terminar onde ela tiver que terminar’

  • Por Jovem Pan
  • 30/09/2021 13h48 - Atualizado em 30/09/2021 16h21
Edu Andrade/Estadão ConteúdoPresidente do BC, Roberto Campos Neto reiterou que política monetária não sofrerá mudanças

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, reiterou nesta quinta-feira, 30, que a alta dos juros vai ser mantida até que a meta para a inflação seja alcançada. A autoridade monetária elevou a Selic a 6,25% ao ano ao acrescentar 1 ponto percentual na taxa na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e afirmou que deve manter esse ritmo no próximo encontro. “A Selic vai terminar onde ela tiver que terminar para que consigamos atingir a nossa meta”, disse. Na ata do encontro, a autoridade monetária sinalizou que o ciclo de elevação da Selic deve ser maior do que o inicialmente projetado. “O Copom concluiu que, neste momento, a manutenção do atual ritmo de ajuste associada ao aumento da magnitude do ciclo de ajuste da política monetária para patamar significativamente contracionista é a estratégia mais apropriada para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023.” O mercado financeiro prevê o aumento da Selic até o patamar de 8,25% em 2021, e 8,5% em 2022. Segundo Campos Neto, não há previsão de prazo na estratégia de aumento dos juros. “A coleta de informações nos próximos meses será importante para determinar onde a Selic vai parar”, afirmou.

Campos Neto ainda esclareceu que o termo “significativamente contracionista” usado na ata do Copom é uma referência ao patamar final da taxa de juros. “Sempre deixamos bem claro que vamos perseguir a meta no horizonte relevante, essa é a nossa missão. Entendemos que é muito importante para estabilizar as condições de planejamento”, afirmou. O presidente também disse que o BC não vai alterar o arcabouço da política monetária para controlar a inflação. “Vamos continuar perseguindo na forma que tem sido feito. Acreditamos que é importante atingir a meta no horizonte relevante”, disse.  No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado mais cedo,  Banco Central estimou não haver mais possibilidade de a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar 2021 dentro da meta. A autoridade monetária espera que o indicador some alta de 9,22% nos 12 meses encerrados em novembro. No acumulado de setembro, o IPCA foi a 10,05%. A autoridade persegue meta de 3,75%, com intervalo de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

De acordo com o presidente, choques inflacionários inicialmente vistos como temporários se tornaram mais persistentes. Campos Neto também apontou mudanças no mercado de commodities, especialmente no minério de ferro, como variantes para a inflação. “Algumas commodities estão se movendo de uma forma bastante errática e em sentidos diferentes”, disse, ressaltando alterações no consumo de países asiáticos. “Na China, tem o problema da construção civil, que diminuiu ainda mais essa demanda. Ao mesmo tempo, tem esse tema da inflação verde, que busca um equilíbrio na emissão de carbono.” No Brasil, o presidente do BC ainda citou o aumento do consumo de energia elétrica como pressão. Campos Neto também afirmou que o ambiente fiscal tem criado incertezas ao mercado, especialmente os debates sobre o financiamento do Auxílio Brasil. “Entendemos que isso tem gerado alguma apreensão, mas que quando virar essa página, de como vai se dar o Auxílio e como ele vai ser financiado, teremos um caminho melhor pela frente.”