China derruba embargo à carne bovina do Brasil, afirma ministra Tereza Cristina

País asiático é um dos maiores compradores do produto, mas exportações estavam suspensas desde setembro após o surgimento de dois casos atípicos de vaca louca em Minas Gerais e no Mato Grosso

  • Por Jovem Pan
  • 15/12/2021 09h38 - Atualizado em 15/12/2021 11h34
Evandro Leal/Enquadrar/Estadão Conteúdo - 28/10/2021 Pedaços de carne colocados em prateleiras em um açougue no Rio Grande do Sul China derrubou o embargo à carne bovina brasileira nesta quarta-feira

Na manhã desta quarta-feira, 15, a China retirou o embargo à carne bovina brasileira, em vigor desde o início de setembro após o surgimento de dois casos atípicos de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como ‘vaca louca’, nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso. A informação foi confirmada ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. “Realmente a notícia é boa, já esperada por nós há algum tempo. Já tínhamos passado todas as informações técnicas e aguardávamos essa confirmação. Hoje, pela madrugada, a nossa embaixada [na China] informou que tinha sido tirado os embargos das exportações de carne bovina do Brasil”, afirmou.

De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o embargo chinês levou a exportação de carne brasileira a uma queda de 43% em outubro, em comparação a setembro, e piorando para 47% em novembro. A arrecadação em dólar também caiu consideravelmente nos últimos meses, ficando 41% menor em novembro do antes do embargo. Apesar do impacto, no comparativo de janeiro a dezembro entre os anos de 2021 e 2022, este ano ainda apresenta resultado financeiros melhores, de quase US$ 1 bilhão a mais.

A ministra destacou alguns pontos que fizeram os prejuízos não serem tão altos, apesar da China ser um dos maiores compradores de carne bovina do Brasil. “Não sei se tivemos muitos prejuízos, não. Tivemos no início, nas primeiras semanas, o produtor rural teve uma queda no preço da arroba, mas, em seguida, a carne reagiu. A Rússia abriu mais plantas para as exportações do Brasil. A arroba subiu novamente. Nós conseguimos, já há uns 20 dias, que contêineres de carne, que tinham sido barrados no primeiro momento, produzidas até 4 de setembro também fossem desembargados para a China. Os frigoríficos, com certeza, tiveram alguns problemas com a logística. Para a agropecuária brasileira é um um problema, mas eu quero dizer que o melhor de tudo isso é que o serviço brasileiro sanitário, a nossa defesa agropecuária confirma a sua qualidade, seus serviços e a segurança que passa ao mundo da excelência que nós temos na fiscalização das nossas dos nossos produtos agropecuários”, pontuou.

Tereza Cristina ainda destacou a diferença dos casos de vaca louca que ocorrem no Brasil, pontuando o menor risco do país oferecer produtos sem qualidade para os mercados interno e externo. “A nossa vaca louca, isso tem que ficar muito claro, é uma vaca louca artística, que dá em animais de mais idade. Nós exportamos para a China, principalmente, animais com no máximo 30 meses. Nunca tivemos casos no Brasil de EEB [vaca louca] clássica, que é o que já teve a Inglaterra, vários países da Europa, Estados Unidos, Canadá. Agora, nós estamos conversando com os frigoríficos sobre algumas medidas para que a gente diminuir o risco de ter animais com esse sintoma, esses animais mais velhos”, disse. “Nossa preocupação não é só com o mercado lá fora, mas também com o mercado interno, com o consumidor brasileiro, que tem que ter qualidade e tranquilidade nos alimentos que são fiscalizados pelo Ministério da Agricultura”, completou a ministra. A OIE, que é a organização internacional que acompanha a saúde animal, analisou as informações prestadas em decorrência dos dois casos de EEB atípica e reafirmou o status brasileiro de “risco insignificante” para a enfermidade.