Dólar cai para R$ 4,96, o menor valor em um ano, com expectativa por alta mais forte dos juros

Câmbio fecha na cotação mais baixa desde 10 de junho de 2020; Banco Central ‘deixa a porta aberta’ para acréscimo acima de 0,75 ponto percentual na Selic em agosto

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2021 17h23 - Atualizado em 22/06/2021 17h42
Rick Wilking/ReutersDólar recua neste início de semana com expectativa pela reforma tributária e cenário positivo no exterior

O dólar fechou nesta terça-feira, 22, abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de um ano com a expectativa de aceleração na alta da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). O colegiado informou hoje que cogitou o aumento mais robusto dos juros na reunião da semana passada, mas recuou e manteve o acréscimo de 0,75 ponto percentual, levando a taxa para 4,25% ao ano. O comunicado, porém, “deixa a porta aberta” para um movimento mais robusto na reunião agendada para os dias 3 e 4 de agosto. O câmbio encerrou o dia com forte queda de 1,13%, cotado a R$ 4,966, o menor valor desde 10 de junho de 2020, quando atingiu R$ 4,936. A divisa chegou a alcançar a mínima de R$ 4,964, enquanto a máxima não passou de R$ 5,045. A moeda fechou a véspera com queda de 0,91%, a R$ 5,023. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, também fechou em queda, com recuo de 0,38%, aos 128.767 pontos. O pregão desta segunda-feira, 21, encerrou com alta de 0,67%, aos 129.264 pontos.

A despeito da piora da pandemia do novo coronavírus, o BC afirmou que os indicadores mostram que a atividade econômica continua “surpreendendo positivamente”, e que os riscos para a recuperação da economia brasileira em 2021 foram significativamente reduzidos. Mesmo expondo a expectativa de uma alta mais robusta nos juros — analistas projetam aumento de até 1 ponto percentual —,  a autoridade monetária sinalizou que deve fazer um novo acréscimo da mesma proporção pela quarta vez seguida, subindo a Selic para 5% ao ano. O movimento, porém, vai depender do cenário econômico. O BC também voltou a reconhecer que a pressão inflacionária está mais persistente do que o projetado e reforçou a estratégia de buscar a normalização dos juros para patamar neutro, ou seja, quando a Selic não estimula nem prejudica a atividade econômica. O nível, segundo analistas, é de 6,5% ao ano.

Investidores também seguem analisando a aprovação da Medida Provisória (MP) que permite a capitalização da Eletrobras. O governo federal estima a arrecadação de R$ 100 bilhões nos próximos anos. O Ministério da Economia afirmou nesta manhã que a venda da estatal pode acarretar na redução de até 7% na tarifa de energia elétrica no cenário mais robusto, enquanto nas projeções medianas o desconto fica em 6,3%, e nas mais conservadores, em 5,1%. O secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Diogo Mac Cord, afirmou que a venda da empresa, chancelada nesta segunda-feira pela Câmara dos Deputados, é a maior privatização feita no país. Segundo o auxiliar da equipe econômica, as emendas inseridas pelo Legislativo não tiram o mérito da desestatização. “É legítimo e necessário para que se tenha o aprimoramento do processo. Os ajustes incluídos, sem sombra de dúvida, são muito pequenos diante das enormes vantagens da privatização”, afirmou.