Dólar sobe 0,2% em semana marcada por risco fiscal e ameaças à Petrobras

Acordos para retomada do auxílio emergencial e novas investidas de Bolsonaro sobre a estatal pressionaram humor dos investidores

  • Por Jovem Pan
  • 19/02/2021 18h28 - Atualizado em 19/02/2021 20h31
Gary Cameron/ReutersDivisa norte-americana acumula alta de 3,79% desde o início do ano

O aumento do risco fiscal com a retomada do auxílio emergencial e as novas investidas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a Petrobras pressionaram o humor do mercado financeiro nesta semana. Apesar de o dólar ter encerrado esta sexta-feira, 19, com queda de 1,02%, a R$ 5,385, o cenário fez a moeda norte-americana fechar a semana com alta de 0,2%. No mês, a divisa acumula recuo de 1,62%, enquanto desde o início de 2021 o dólar já subiu 3,79%. Como já era esperado, investidores reagiram com aversão aos comentários negativos de Bolsonaro sobre a Petrobras, impactando o desempenho dos papéis da estatal e o Ibovespa. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira encerrou com baixa de 0,64%, aos 118.430 pontos. A queda foi puxada pelas ações da estatal. O papel preferencial (PETRA) recuou 6,63%, enquanto o ordinário (PETR3), registrou queda de 7,92%.

Os investidores repercutiram negativamente as declarações do presidente sobre mudanças na Petrobras, após a estatal anunciar novos reajustes na gasolina e diesel nesta quinta-feira, 19. Em sua live semanal, Bolsonaro criticou o aumento e disse que alguma coisa vai mudar na Petrobras nos próximos dias. Apesar do presidente afirmar que não possui controle sobre a  empresa, investidores enxergaram nas falas do presidente uma nova ameaça de ingerência nos preços dos combustíveis. Em entrevista à Jovem Pan, Adriano Pires Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), ressaltou o impacto da declaração nos negócios da estatal. “Ao falar isso, pode acontecer alguma coisa hoje, amanhã. Não é uma boa fala. O mercado vai reagir em relação a isso. É uma mensagem cifrada, e a gente não sabe o que vai acontecer. O presidente é muito imprevisível, então pode acontecer de ele tirar o presidente da Petrobras, e também pode ser que não aconteça nada.”

Bolsonaro também anunciou mudanças na taxação federal sobre gás de cozinha e diesel a partir do dia 1º de março. Segundo ele, após reunião com o ministro Paulo Guedes e com a equipe econômica, o governo federal decidiu fazer mudanças nos impostos a partir do próximo mês. “A partir de 1º de março não haverá mais qualquer tributo federal no gás de cozinha, ad eternum. Não haverá qualquer tributo federal no gás de cozinha, que está em média hoje R$ 90 na ponta da linha, lá para o consumidor”, afirmou. Segundo o presidente, além do GLP, o diesel também terá a anulação dos tributos federais a partir de março. No caso do combustível, a diminuição do valor valerá por dois meses.

Ainda no noticiário doméstico, investidores seguem acompanhando as negociações para a volta do auxílio emergencial. Líderes do Congresso fecharam acordo com o governo federal para colocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial em votação na próxima quinta-feira, 25. O texto, que apresentará a cláusula que dá brecha para a retomada do benefício, foi entregue aos líderes pelo relator, senador Márcio Bittar (MDB-AC), nesta sexta-feira. A expectativa é que a PEC avance sem grandes percalços e seja aprovada até 3 de março. Segundo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o projeto trará a cláusula do orçamento de guerra que tira do governo federal a responsabilidade de cumprir a regra do teto de gastos. “Essa aprovação pelo Senado Federal permitirá, através de uma cláusula de orçamento de guerra, cláusula de calamidade, para que se possa ter brecha necessária para implantar o auxílio emergencial no Brasil.”