Dólar vai a R$ 5,35 e fecha 2ª semana seguida em alta; Bolsa segura os 122 mil pontos

Humor dos mercados segue pressionado pelo risco de redução da política de estímulos nos Estados Unidos

  • Por Jovem Pan
  • 21/05/2021 18h11 - Atualizado em 24/05/2021 13h43
Arquivo/Agência BrasilDólar volta a subir com o mercado apreensivo com as contas públicas do governo federal

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam nesta sexta-feira, 21, no campo negativo, pressionados pelo temor internacional com a redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos. Na cena local, a semana foi marcada por novos embates na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. O dólar fechou com alta de 1,44%, a R$ 5,353, depois de bater a máxima de R$ 5,356 e a mínima de R$ 5,272. Esta foi a maior cotação do câmbio desde o início do mês. A moeda encerrou a semana com o avanço acumulado de 2,6%, o segundo período seguido de valorização ante o real. No mês, o dólar registra queda de 1,4%, enquanto desde o início do ano a valorização acumula 3,2%. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, se manteve praticamente estável pelo terceiro dia seguido e registrou leve queda de 0,09%, aos 122.592 pontos. O índice acumula alta de 0,6% na semana e 3% no mês e em 2021.

Apesar de dados de recuperação da indústria na Europa e EUA em abril, os mercados seguiram analisando a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) que revelou que membros do Banco Central dos EUA (Fed) afirmaram no mês passado que a recuperação da economia justificaria a redução da política de estímulos, como a compra de títulos públicos e a manutenção da taxa de juros em níveis mínimos. O encontro ocorreu antes da divulgação de alta de 4,2% da inflação de abril, bastante acima do esperado pelo mercado. O Fed, no entanto, manteve a opinião de que o avanço inflacionário é transitório e que não deve mudar as metas da economia enquanto a medida não impactar significativamente na criação de empregos e na inflação.

Na pauta doméstica, o governo federal indicou a liberação de R$ 4,8 bilhões para ministérios e órgãos após a redução de R$ 98 bilhões do déficit primário no segundo bimestre. O cenário político foi marcado pelos depoimentos mais aguardados da CPI da Covid-19. Na terça-feira, senadores interrogaram o ex-chanceler, Ernesto Araújo, que negou ter incentivado ações de atrito com a China. Já na quarta e quinta-feira, a CPI recebeu o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chefe que ficou à frente da pasta por mais tempo durante a pandemia. Os trabalhos serão retomados nesta terça-feira, 25, com o depoimento da secretária do Trabalho e Gestão na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”.