Dólar vai a R$ 5,57 com Auxílio Brasil fora do teto de gastos; Bolsa cai mais de 2%

Governo estuda tirar R$ 30 bilhões da regra fiscal para elevar parcelas do novo Bolsa Família a R$ 400

  • Por Jovem Pan
  • 19/10/2021 12h09
FERNANDA LUZ/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDODólar avança com risco fiscal no radar dos investidores

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro operam no campo negativo nesta terça-feira, 19, após a divulgação de que o Auxílio Brasil terá parte do valor fora do teto de gastos. Por volta das 12h10, o dólar registrava alta de 0,66% ante o real, cotado a R$ 5,557. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,574, enquanto a mínima não passou de R$ 5,535. A divisa norte-americana encerrou a véspera com alta de 1,21%, a R$ 5,521. Indo na contramão dos principais mercados globais, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, registrava queda de 2,5%, aos 111.584 pontos. O índice encerrou na segunda-feira, 18, com leve queda de 0,2%, aos 114.028 pontos.

O governo federal estuda lançar o Auxílio Brasil, o programa desenhado para substituir o Bolsa Família, com parcelas de R$ 400 até o fim de 2022. O benefício deve ser estendido para 17 milhões de brasileiros. À Jovem Pan, pessoas próximas das negociações afirmaram que parte do valor ficará fora do teto de gastos, apesar da ideia desagradar o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo as informações, o total da extensão do pagamento até o fim do próximo ano seria entre R$ 80 bilhões e R$ 90 bilhões, sendo que aproximadamente R$ 30 bilhões ficariam fora da trava que limita as despesas da União. A assessoria de imprensa do Ministério da Economia afirmou que não irá se manifestar sobre o assunto. O Auxílio Brasil foi anunciado como a continuação do auxílio emergencial e é considerado um dos principais trunfos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na disputa à reeleição. O benefício, que tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, está previsto para acabar neste mês. A ideia original da União era soltar o novo Bolsa Família com parcelas de R$ 300. O valor, no entanto, foi revisto pela ala política.

Ainda na pauta doméstica, a Câmara dos Deputados deve votar nesta tarde a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Se for aprovado, a medida ainda precisa passar pelo plenário, onde tem que somar 308 votos em dois turnos, antes de seguir para o Senado. O relator, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), apresentou parecer favorável ao texto que visa alterar as regras de pagamento das dívidas da União que não possuem mais recurso na Justiça. O relatório prevê o limite de R$ 40 bilhões para o pagamento anual dos precatórios, com base no valor cobrado em 2016, ano de criação do teto de gastos, corrigido pela inflação. Também está no radar dos investidores as falas do relator da reforma do Imposto de Renda, senador Angelo Coronel (PSD-BA), sobre a retirada da tributação de lucros e dividendos do texto final. A versão aprovada pela Câmara determinava a taxação de 15% em cima dos valores.