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Macroeconomia

Governo de SP exonera auditor fiscal acusado de liderar esquema bilionário de ICMS

Decisão ocorreu a pedido do próprio Artur Gomes da Silva Neto, que está preso desde 12 de agosto na Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo

ia samy

Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo
palacio Divulgação/Governo de São Paulo

A Secretaria de Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) publicou nesta quinta-feira (21) a exoneração de Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal da Receita Estadual acusado de chefiar um esquema bilionário de manipulação de créditos de ICMS. A decisão, registrada no Diário Oficial do Estado, ocorreu a pedido do próprio servidor, que está preso desde 12 de agosto na Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A demissão não interrompe o processo disciplinar administrativo aberto logo após as denúncias.

O procedimento pode resultar na chamada “demissão a bem do serviço público”, a penalidade mais grave prevista para servidores envolvidos em irregularidades. Procurada, a defesa de Artur não se manifestou. De acordo com o MP-SP, Silva Neto era o principal articulador de um esquema que fraudava o ressarcimento de créditos de ICMS — imposto sobre circulação de mercadorias — devido a grandes empresas varejistas. O auditor teria acelerado aprovações, liberado valores superiores aos devidos e evitado revisões internas em troca de propina.

As investigações apontam que o esquema teria movimentado mais de R$ 1 bilhão desde 2021. Parte dos valores era repassada por meio de empresas de fachada, como a Smart Tax, registrada em nome da mãe do auditor, Kimio Mizukami da Silva. O patrimônio dela, segundo o MP, saltou de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023, o que levantou suspeitas de lavagem de dinheiro.

Além de Silva Neto, a Operação Ícaro prendeu temporariamente o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop. Ambos foram soltos após pagamento de fiança de R$ 25 milhões e colocação de tornozeleira eletrônica. Outros auditores fiscais e pessoas ligadas ao esquema também foram detidos.

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Em resposta ao escândalo, o governo de São Paulo anunciou mudanças no sistema de restituição do ICMS-ST (Substituição Tributária). Foram revogados o Decreto nº 67.853/2023, que permitia a “apropriação acelerada” de créditos, e alterações na Portaria CAT nº 42/2018. A partir de agora, todos os pedidos de ressarcimento passarão por auditoria fiscal obrigatória até a conclusão da revisão das normas. Um grupo de trabalho foi criado para revisar as regras e implantar soluções tecnológicas de cruzamento automatizado de informações, com o objetivo de aumentar a transparência e a segurança do processo.

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Publicado por Felipe Dantas

*Reportagem produzida com auxílio de IA