Guedes afirma que inflação alta é fenômeno mundial e culpa alimentos e energia

Ministro ainda afirma que governo optou por manter benefícios sociais para ajudar os mais pobres a lidar com o aumento de preços

  • Por Jovem Pan
  • 12/10/2021 19h18
Edu Andrade/Ascom/MEPaulo Guedes também comentou caso da offshore e disse não ter feito nada de errado

O ministro da economia, Paulo Guedes, atribuiu a alta da inflação ocorrida em 2021 a um fenômeno mundial, e citou que a energia e os alimentos respondem por mais da metade das taxas no Brasil, em entrevista à emissora CNN internacional durante eventos organizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo. “A inflação está em todo o mundo. Metade da inflação [no Brasil] é exatamente comida e energia. Por isso, nossa proteção [social] ainda está lá. Vamos manter essa proteção. Vamos aumentar a transferência direta de renda para população pobre para cobrir os preços dos alimentos e da energia”, afirmou Guedes, se referindo ao auxílio emergencial pago pelo governo durante a pandemia,que tem prazo para acabar agora em outubro, e ao Auxílio Brasil, programa social que o governo pretende lançar em substituição ao Bolsa-Família, com valores maiores. O acumulado da inflação no Brasil nos últimos doze meses é 10,25%, muito acima do centro da meta do Banco Central, de 3,75%.

Na entrevista ao canal norte-americano, Guedes ainda disse que o Brasil procurou preservar vidas durante a pandemia, o que levou a altos gastos do governo. “Não aceito sua narrativa”, respondeu ao entrevistador. “Nós gastamos mais dinheiro salvando vidas do que vocês (os Estados Unidos). Nossa escolha foi manter vidas em primeiro lugar. Por isso, gastamos 110% do PIB em transferência de renda para pessoas pobres, para que elas praticassem o distanciamento social”. Segundo o ministro, o Brasil gastou mais que o dobro dos países emergentes e 10% a mais que os países ricos.

Guedes ainda manteve a projeção ambiciosa de ferramentas no valor de US$ 2,5 bilhões para o pacote de crescimento verde a ser lançado pelo governo brasileiro na COP26, em Glasgow, na Escócia, e lembrou, mais uma vez, que já há cerca de US$ 100 bilhões contratados em infraestrutura. Também voltou a negar qualquer conflito de interesses na empresa offshore que possui nas Ilhas Virgens Britânicas. “É legal, foi reportada ao Comitê de Ética da Presidência, declarada na Receita Federal e registrada no Banco Central. Eu saí do comando da empresa semanas antes de assumir o ministério. E além disso, na semana passada, a Suprema Corte brasileira arquivou o caso”, disse.