Indicadores recentes sugerem recuperação parcial da economia, diz BC

No entanto, na ata, o Copom ressalta que a inflação ao consumidor deve se elevar no curto prazo

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2020 10h34
Divulgaçãom agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,24%, a maior taxa para o mês desde 2016 (0,44%)

A economia brasileira apresenta recuperação parcial, avalia o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), em ata da última reunião, divulgada nesta terça-feira, 22. No último dia 16, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano. “Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem uma recuperação parcial, com padrão similar à que ocorre em outras economias, onde os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos”, diz o órgão. Para o Copom, ações do governo para recompor a renda, como o auxílio emergencial, “têm permitido uma retomada relativamente forte do consumo de bens duráveis e do investimento”. “Contudo, várias atividades do setor de serviços, sobretudo aquelas mais diretamente afetadas pelo distanciamento social, permanecem bastante deprimidas. Prospectivamente, a pouca previsibilidade associada à evolução da pandemia e à necessária redução nos auxílios emergenciais a partir do final desse ano aumentam a incerteza sobre a velocidade de retomada da atividade econômica. O comitê ponderou que esta imprevisibilidade e os riscos associados à evolução da pandemia podem implicar um cenário doméstico caracterizado por uma retomada ainda mais gradual da economia”, avalia.

Na ata, o Copom ressalta que a inflação ao consumidor deve se elevar no curto prazo. “Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade. Os preços administrados devem apresentar variação contida, destacando-se o recuo nas tarifas de plano de saúde em setembro e a queda projetada para o preço da gasolina a partir de outubro”, diz. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,24%, a maior taxa para o mês desde 2016 (0,44%). O IPCA acumulou taxas de inflação de 0,70% no ano e de 2,44% em 12 meses. Em agosto, a inflação foi influenciada principalmente pelo aumento do custo dos transportes (0,82%) e dos alimentos (0,78%).

Na ata, há dois cenários com projeções para a inflação neste ano. No primeiro cenário, a inflação termina 2020 em 2,1%, sobe para 2,9% em 2021 e chega a 3,3% em 2022. As projeções para a inflação de preços administrados são 0% em 2020, 4,3% em 2021 e 3,7% em 2022. Nesse cenário, a taxa de câmbio fica constante em R$ 5,30 e a Selic encerra 2020 em 2% ao ano, se eleva para 2,5% ao ano em 2021 e 4,5% ao ano em 2022 (de acordo com a pesquisa do BC ao mercado financeiro para a taxa básica). No cenário com taxa de juros constante a 2% ao ano e taxa de câmbio constante a R$5,30, as projeções de inflação ficam em 2,1% em 2020, 3% em 2021 e 3,8% em 2022. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são 0% para 2020, 4,3% para 2021 e 3,9% para 2022.

Taxa de juros

O comitê reconhece que pode haver necessidade de reduções na taxa básica de juros, a Selic, mas por “questões prudenciais e de estabilidade financeira”. “O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado [taxa Selic baixa], mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno. Consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal [contas públicas sob controle], assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva”, diz.

* Com Agência Brasil