Intenção de consumo das famílias sobe em janeiro e atinge o melhor patamar desde maio de 2020

Após dois meses com resultados negativos, indicador sobe puxado por melhores perspectivas para o emprego e compras

  • Por Jovem Pan
  • 31/01/2022 12h52 - Atualizado em 31/01/2022 13h49
KAREN FONTES/ISHOOT/ESTADÃO CONTEÚDO Pessoas andando na rua usando máscara Intenção de consumo subiu em janeiro após dois meses seguidos de queda

O índice que mede a intenção de consumo das famílias voltou a subir em janeiro e registrou o melhor patamar desde maio de 2020, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgados nesta segunda-feira, 31. O indicador alcançou 76,2 pontos, e, apesar de ter permanecido abaixo do nível de satisfação de 100 pontos (o que acontece desde abril de 2015), com o ajuste sazonal, a série apresentou crescimento de 1,1%, após dois meses de retração, e elevação de 3,6%, na comparação com janeiro do ano anterior. O índice encerrou 2021 aos 71,6 pontos, o pior desempenho desde o início da série histórica, em 2010.

Considerando a análise por grupos de renda, o nível de insatisfação das famílias com ganhos abaixo de 10 salários mínimos mostrou crescimento mensal de 1,1% e anual de 1,7%. Já na faixa com renda superior a 10 salários mínimos, as variações foram de 1% em relação ao mês anterior e de 10,5% na comparação com janeiro de 2021, revelando que as famílias com maior renda estão evoluindo mais favoravelmente em relação ao ano passado e sendo mais beneficiadas com a flexibilização do isolamento social. O principal destaque positivo foi o índice Emprego Atual, que contou com aumento de 2,6%. Perspectiva de Consumo também mostrou expansão de 2,5%, a segunda consecutiva, além de alcançar o maior patamar desde abril de 2020 (81 pontos). Assim como o indicador Renda Atual, que, apesar da alta inflação, atingiu o melhor nível desde junho de 2021, registrando 82,7 pontos, com crescimento de 0,5% este mês.

O indicador Acesso ao Crédito apresentou a queda mais expressiva da pesquisa, 1% em relação ao mês anterior, e 7,4% na comparação com janeiro de 2021. “Isso é consequência do aumento dos juros, ocasionado pela alta inflacionária, que também reduz o poder de compra. Ambos os fatores representam maiores dificuldades para os consumidores”, afirma a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva. Em janeiro, o índice Momento para Duráveis teve a quinta retração mensal seguida, de 0,8%, e uma queda de 5,7% na comparação anual. Entre os consumidores, 75% acreditam ser um momento negativo para compras desse tipo de produto, percentual um pouco abaixo dos 75,2% observados em dezembro de 2021.