Mudanças na tributação de empresas e dividendos gera ‘revolta’ em auxiliares de Guedes

Membros da equipe econômica afirmam que reforma tributária impacta no aumento de impostos e freia a recuperação do país

  • Por Gabriel Bosa
  • 06/07/2021 14h42
Gabriela Biló/Estadão ConteúdoSegunda etapa da reforma tributária foi entregue pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao presidente da Câmara, Arthur Lira, no fim de junho

Mudanças nos cálculos para a tributação de empresas e a taxação de dividendos propostas pela reforma tributária criaram um clima de revolta entre membros do Ministério da Economia. Parte dos auxiliares de Paulo Guedes enxergam muita dificuldade para a aprovação do texto nos moldes em que foi entregue no fim de junho. Para esta ala, a versão final vai contra os princípios defendidos pelo ministro, sobretudo a promessa de que as mudanças não impactariam no aumento dos tributos e trariam mais clareza nas regras de taxação. Em caráter reservado, um dos auxiliares de Guedes afirmou à Jovem Pan que o processo de criação da segunda etapa da reforma, concentrado nos técnicos da Receita Federal, foi como deixar “os vampiros cuidando do banco de sangue”. “Erraram na mão, ao invés de simplificar, complicaram. É a cultura da Receita Federal no Brasil. Onde a Receita puder calibrar para dar a facada, ela vai fazer”, afirma.

Diferentes segmentos da economia brasileira criticaram a proposta. O texto entregue pelo governo federal prevê a redução do IR de empresas em 2,5 pontos percentuais por dois anos seguidos, ao mesmo tempo que impõe a taxação de 20% em lucros e dividendos. Membros da equipe econômica defendem a redução dessa taxa para 10%. Para parte do empresariado, a reformulação do Imposto de Renda vai aumentar a carga para o setor privado e dificultar o crescimento econômico. Em resposta aos descontentamentos da classe, Guedes afirmou que a equipe econômica estuda alterar o corte da tributação de empresas em 5 ou 10 pontos percentuais já no próximo ano, desde que o governo federal revogue benefícios e subsídios.

Segundo um dos membros do Ministério, a proposta original é “um banho de água fria” no entusiasmo dos empresários na retomada da economia. Apesar das manifestações do ministro em alterar trechos da reforma, não está prevista a entrega de um adendo. “Vamos sentir as reações. Está no Congresso, e a partir disso vamos fazer a mediação do conflito.” A reforma tributária é um dos principais pilares da agenda de transformações da economia projetada por Guedes. O texto prevê ampliar a isenção do Imposto de Renda para pessoas que recebem até R$ 2,5 mil por mês, além da redução dos tributos sobre empresas. O documento recomenda a recomposição deste montante com a tributação de dividendos.