Procon chama operadoras, fabricantes e bancos para debater segurança de smartphones e aplicativos

Encontro agendado para esta quarta-feira é motivado pelo aumento de invasões a contas bancárias após roubo de celulares; representantes do Google e de redes sociais também foram convocados

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2021 18h21
Marcello Casal Jr./Agência BrasilAutoridades recomendam atenção ao manusear o celular em locais abertos e com grande circulação de pessoas

O Procon de São Paulo convocou representantes de operadoras, fabricantes de celulares, redes sociais e instituições financeiras para discutir os dispositivos de segurança dos aparelhos e aplicativos. O encontro será realizado nesta quarta-feira, 23, de forma remota. A reunião ocorre em meio ao aumento de uma nova modalidade de estelionato praticada por quadrilhas especializadas após o roubo ou furto do aparelho celular. O crime constitui na invasão dos aplicativos bancários para a transferência e saque dos valores depositados, além da aquisição de empréstimos em nome das vítimas. “O Procon quer saber qual o grau de confiabilidade dos sistemas de segurança e proteção das operadoras, plataformas e bancos, já que muitas fraudes estão sendo praticadas”, afirma Fernando Capez, diretor-executivo do órgão. “Além disso, é essencial que essas empresas ofereçam um acesso eficaz para que aquela pessoa que teve seu celular furtado ou roubado seja atendida de imediato.”

Na última sexta-feira, 18, o órgão de defesa do consumidor pediu explicações ao Google e para mais de dez instituições financeiras, entre bancos e associações, sobre o grau de segurança dos sistemas digitais. Notificações já haviam sido encaminhadas para a Apple, Motorola e Samsung. Além das empresas comunicadas, foram chamados para o encontro de amanhã representantes da Claro, TIM e Vivo, além do Facebook, Instagram e Whatsapp. O novo tipo de crime cresceu em meio à pandemia da Covid-19, quando mais pessoas começaram fazer transferências de valores e buscar serviços bancários por meio de aplicativos. “Os marginais perceberam que a tecnologia evoluiu e como esses celulares podem ser vulneráveis. Quando abrem o celular, eles têm acesso a uma gama enorme de informações, e isso permite que eles cometam uma série de estelionatos”, afirma o delegado Roberto Monteiro, responsável pelos distritos da região central de São Paulo.

Segundo as investigações da Polícia Civil, os acessos são feitos por duas entradas. A principal é quando o celular já está “aberto”, ou seja, com a tela inicial desbloqueada. “Em muitos casos a pessoa está usando o Waze, conversando ou tirando uma foto quando o ladrão leva o aparelho. Ele mantém a tela aberta até levar ao receptador”, explica o delegado. Em outros casos, os grupos usam programas especializados para quebrar os códigos de segurança e ter acesso às informações salvas no aparelho. Em ambos os casos, os bancos podem se isentar de ressarcir os valores roubados com base de que a vulnerabilidade foi causada pela própria vítima ao deixar senhas salvas no aparelho, apesar de cada instituição ter a sua própria política para lidar com esse tipo de situação. Para evitar essa dor de cabeça, autoridades das forças de segurança, especialistas em proteção digital e instituições bancárias preconizam uma série de precauções, desde cuidados ao manusear o aparelho até a instalação de aplicativos que obrigam o uso de senhas para acessar determinadas áreas do celular, como o bloco de notas. Para Monteiro, o cuidado começa com a atenção do usuário ao expor o celular.

 

 

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