Programa de emprego para jovens deve ser lançado ‘nos próximos dias’, diz Guedes

Em audiência no Senado, ministro também afirmou que crise hídrica vai pressionar a inflação e levar o IPCA a até 6% no fim do ano

  • Por Jovem Pan
  • 25/06/2021 14h23 - Atualizado em 25/06/2021 15h56
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoPaulo Guedes, ministro da Economia, afirmou ao Senado que governo busca recursos para versão mais robusta do Bolsa Família

Ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou nesta sexta-feira, 25, que o programa do governo federal para a inclusão dos mais jovens no mercado de trabalho deve ser anunciado em breve. O projeto é divido entre o Bônus de Inclusão Produtiva (BIP), custeado pela União, e o Bônus de Incentivo à Qualificação (BIQ), pago pela iniciativa privada. O governo prevê a distribuição de R$ 500 a R$ 600 por mês para que os beneficiados façam cursos profissionalizantes ou sejam integrados em programas de treinamento dentro das próprias empresas participantes. A primeira etapa do projeto vai abranger dois milhões de brasileiros, com idade entre 18 e 28 anos. “Vamos caçar os jovens, achar, qualificar, cuidar deles e tentar trazê-los para os mercados. O programa já está pronto e deve sair nos próximos dias”, disse o ministro durante a Comissão Temporária da Covid-19 do Senado.

O chefe da equipe econômica comentou sobre a recente crise hídrica e citou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ao afirmar que não será necessário o racionamento. “Vamos levantar as bandeiras [tarifárias] agora, a inflação sobe um pouco e esperamos que no ano que vem já tenha se normalizado, tudo com a garantia do nosso ministro Bento de que não será necessário chegar a situação do racionamento”, disse. Guedes também citou o avanço do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira, com peso maior do encarecimento dos alimentos e da energia. Segundo o ministro, as pressões recentes devem fazer com que a inflação feche o ano com avanço entre 5,5% e 6%, e volte para a normalidade em 2022. O Banco Central persegue meta inflacionária de 3,75% neste ano, com limites de 2,25% e 5,25%. O prognóstico do ministro é semelhante ao da autoridade monetária, que prevê a inflação em 5,8% ao fim de 2021.

Guedes voltou a citar a prolongação do auxílio emergencial por mais três meses, até outubro. A proposta deve ser anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos próximos dias. O ministro afirmou que existe a possibilidade de uma terceira onda da pandemia do novo coronavírus, mas que essa não é a perspectiva atual. “Acreditamos que em mais três ou quatro meses estaremos em uma situação de controle. Se vier a terceira onda, vamos continuar lutando para não nos afogarmos”, disse. Guedes também reforçou o discurso de que o benefício temporário será substituído por uma versão mais robusta do Bolsa Família. Segundo o ministro, o principal debate é a origem dos valores. “Pode ser R$ 600? Não dá para chegar lá. Hoje não se tem recursos para isso, e aí vamos para outra discussão, que é o teto de gastos. Se faz isso, fura o teto, desestabiliza tudo”, afirmou.

O ministro classificou a regra criada em 2016 e que limita os gastos federais a correção da inflação do ano anterior como uma “anomalia” que deve ser extinguida no futuro. “Estamos em transição para uma situação boa, que é o futuro, onde isso será dispensável. Hoje não é”, disse. “Estamos dispostos a rever dentro de uma filosofia mais ampla, de reabilitação dos orçamentos públicos. Não adianta querer tirar o teto para reeleger A, B ou C. Não pode ficar pensando em tocar fogo no Brasil, saindo da responsabilidade fiscal.”