Eleições 2020: Os desafios relacionados ao centro da capital paulista
Do alto da capital paulista, a Selva de Pedra pode parecer tudo igual, mas a desigualdade está presente em todas as regiões do município. No centro de São Paulo são vistos muitos contrastes: de um lado prédios comerciais imponentes e imóveis invadidos. O vai e vem de trabalhadores em meio a pessoas que não têm onde morar. A Rita de Cássia Vieira vive na rua na região do Páteo do Colégio há quase cinco anos. Ela trabalhava como empregada doméstica, mas foi demitida por causa dos ataques epiléticos que sofre desde criança. “Aqui é onde dá para sobreviver melhor, em outros lugares não dão comida, não dão roupa, não tem lugar para tomar banho”, conta ela. Ao mesmo tempo, outro cenário emblemático da região central é a Cracolândia, um problema de saúde e segurança pública que se arrasta há várias gestões. A Laurentina Dias trabalha como camelô e passa pela região todos os dias. “Agora eu não tenho nada porque eu tenho medo de ser roubada, já fui roubada duas ou três vezes aqui, faz uns três meses. Então deixo em casa o celular porque é perigoso“, afirma a trabalhadora. A Ednalva Santana é cozinheira e também tem medo. “Eu não me sinto segura no Centro em lugar nenhum. Nem aqui, nem na Sé, não me sinto segura”, reforça.
[jp-related-posts ids=”972118,971564,970987″]
As tentativas das últimas gestões de tentar revitalizar o centro acabaram esbarrando no problema do tráfico e do consumo de drogas. Atualmente, cerca de 1600 dependentes químicos circulam diariamente pela região, segundo um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o analista criminal Guaracy Mingardi, a Cracolândia não destrói só os usuários, mas também todo o local. “A região central já vem deteriorando há algum tempo. Durante o dia ainda é possível ter um negócio por perto, não exatamente na Cracolândia. Mas ter um negócio em uma região que ninguém mora e fica abandona durante a noite sempre foi um problema”, explica. O Luiz Carlos Granieri tem uma joalheria na região central há cerca de 50 anos e acompanhou esse processo de perto. “Em todas as cidades que você vai, Paris, Roma, Buenos Aires, Londres, o centro da cidade é um local preservado, um lugar maravilhoso que as pessoas frequentam. Aqui não, aqui o centro foi sendo esquecido, infelizmente.”
*Com informações da repórter Nicole Fusco
Assuntos
continue lendo
Política
Como São Paulo votou no segundo turno? Lula ganhou 2,6 milhões de votos, mas perdeu no estado
Petista teve o maior crescimento absoluto de votação em São Paulo entre os turnos, mas Flávio Bolsonaro continuou à frente no maior colégio eleitoral
- Lula derrota família Bolsonaro pela segunda vez Jovem Pan · há 2 dias
- Quem é Celina Leão, amiga de Michelle Bolsonaro que foi reeleita governadora do DF Jovem Pan · há 2 dias
- Datafolha: Flávio Bolsonaro é rejeitado por 46%; Lula, por 45% Jovem Pan · há 5 dias
- ‘Bondades’ anunciadas por Lula em 2026 somam até R$ 178,1 bilhões ao ano Jovem Pan · há 2 semanas