Em troca de fim de investigação, Petrobras deixa mercado de gás natural; governo espera preço 40% menor
A Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) fecharam, nesta segunda-feira (8), um acordo para estimular a concorrência no mercado de gás natural. Por unanimidade, os integrantes do CADE homologaram o documento que, na prática, vai possibilitar a abertura do setor e o barateamento do insumo no país.
A equipe econômica acredita que, em dois ou três anos, o preço possa cair até 40%. Para isso, a Petrobras concordou em vender participações em empresas de transporte e distribuição e, agora, vai atuar apenas na produção e tratamento do gás. A estatal vai abrir mão, inclusive, do controle do gasoduto Brasil-Bolívia, o Gasbol.
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, participou da sessão e reafirmou a decisão da empresa. “Pretendemos concluir essas transações no período mais curto de tempo possível, e ao final desse processo, a nossa participação no negócio de distribuição e transporte de gás seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo será zero.”
O monopólio do setor de gás foi extinto há 22 anos, mas, na prática, a Petrobras ainda detém o controle do insumo. O desinvestimento, como é conhecido, deve ser concluído até 2021, podendo ser estendido por mais um ano.
Em contrapartida, o CADE vai deixar de investigar a empresa que é suspeita de práticas anticompetitivas no mercado de gás. O presidente do Conselho e relator do processo, Alexandre Barreto, destacou que esse foi um dos acordos mais importantes celebrados pelo órgão. “Se analisarmos o grau de importância desse acordo com o tempo recorde que foi despendido para sua análise, esse foi o mais eficiente acordo já celebrado por esse conselho.”
Para o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o novo mercado de gás vai favorecer toda a sociedade. “Estamos convictos de que o novo mercado de gás aliado à atual conjuntura nacional nos afiançam um novo tempo de modernidade, de inovação, de sustentabilidade e prosperidade. Não somente do setor, mas sobretudo da sociedade brasileira.”
O secretário-executivo do ministério da Economia, Marcelo Guaranys, destacou que o acordo foi uma “convergência” de diversas áreas. “É um alinhamento político, de política pública e entre os ministério que cuidam do assunto. Ministério de Minas e Energia junto da Agência Nacional de Petróleo (ANP), junto do CADE, junto do nosso Ministério de Economia.”
Hoje, a Petrobras é responsável por 77% da produção nacional de gás e é responsável por 100% da importação. A estatal também domina a malha de transporte e é sócia de 20 das 27 distribuidoras de gás existentes no país.
*Com informações do repórter Afonso Marangoni
Assuntos
continue lendo
Economia
TCU adia novamente debate em plenário sobre política de preços da Petrobras
Pedido de vista foi feito novamente pelo ministro Odair Cunha, que já havia solicitado mais tempo para análise sob a justificativa de que há outro processo relacionado ao tema sob sua relatoria
- Lula derrota família Bolsonaro pela segunda vez Jovem Pan · há 1 semana
- Quem é Celina Leão, amiga de Michelle Bolsonaro que foi reeleita governadora do DF Jovem Pan · há 1 semana
- Datafolha: Flávio Bolsonaro é rejeitado por 46%; Lula, por 45% Jovem Pan · há 2 semanas
- ‘Bondades’ anunciadas por Lula em 2026 somam até R$ 178,1 bilhões ao ano Jovem Pan · há 3 semanas