Espião é desafiado a provar que governo sabia de escutas usadas por Nisman
Buenos Aires, 25 fev (EFE).- O governo da Argentina disse nesta quarta-feira que o espião Antonio “Jaime” Stiuso deverá provar sua afirmação de que o Executivo estava ciente das escutas que o falecido promotor Alberto Nisman usou para elaborar sua denúncia contra a presidente Cristina Kirchner, por suposto encobrimento de terroristas.
“Se isso é certo, deverá prová-lo”, disse o titular da Secretaria de Inteligência, Oscar Parrilli, em declarações a emissoras de rádio.
De acordo com o jornal “La Nación”, Stiuso, ex-diretor de Operações da Secretaria de Inteligência, disse à Promotoria que investiga a morte de Nisman que o governo estava a par das escutas que e o promotor estava usando para basear sua denúncia.
Nisman, que investigava o atentado de 1994 contra a sede da associação judia Amia, foi encontrado morto com um tiro na cabeça em 18 de janeiro, quatro dias depois de denunciar a presidente argentina por suposto encobrimento de iranianos suspeitos de terem realizado o ataque, no qual morreram 85 pessoas.
Stiuso, que colaborava com Nisman na investigação do caso Amia até sua atuação ser encerrada, em dezembro passado, foi denunciado pelo governo por suposto contrabando.
“Durante 30 anos tivemos serviços de inteligência que não estiveram a serviço da democracia, nem para defender os interesses, nem a segurança dos argentinos: estiveram bem mais para nos espiar”, disse Parrilli.
Hoje, o governo tenta usar sua maioria na Câmara dos Deputados para transformar em lei um projeto de reforma dos serviços de Inteligência proposto pela presidente após a repercussão do caso Nisman. EFE
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