Estudo aponta que 3 em cada 7 brasileiros com artrite não recebem diagnóstico

  • Por Agencia EFE
  • 14/05/2015 16h01

São Paulo, 7 mai (EFE).- Realidade para 43% dos pacientes brasileiros, a demora no diagnóstico da artrite reumatoide pode acarretar em consequências irreversíveis como deformações e amputação de membros, segundo um estudo realizado em cinco capitais brasileiras e divulgado nesta quinta-feira.

“Quanto mais precoce o tratamento, menor é o dano estrutural e menor é a incapacidade física dos enfermos”, disse Cristiano Zerbini, médico e professor da Universidade de São Paulo durante a divulgação da pesquisa.

A pesquisa “Não ignore sua dor: pode ser artrite reumatoide” foi encomendada pela farmacêutica Pfizer e ouviu 200 pacientes dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife, que apontaram a demora no diagnóstico e a falta de informação como maiores dificuldades no combate a doença.

“Normalmente, uma dor nas articulações faz as pessoas irem primeiro a um otopedista, que acaba tratando a reumatose como um trauma”, explicou Zerbini.

O médico afirmou que, no Brasil, a artrite reumatoide afeta 2 milhões de pessoas, mas há muito “preconceito e discriminação” em relação à doença.

Segundo um relatório da Pfizer, entre fevereiro de 2014 e o mesmo mês em 2015, 18.575 pacientes foram internados no Sistema Único de Saúde (SUS) por consequência da doença inflamatória, o que gerou um custo total de R$ 11,8 milhões.

De acordo com a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), esta doença atinge de 0,5% a 1,5% da população, com maior intensidade para as mulheres, com uma proporção de três para cada homem.

Autoimune, a doença faz com que o organismo, por meio do sistema imunológico, prejudique a si mesmo.

Para que um paciente sofra desta enfermidade, tem que haver uma “predisposição para isso”, explicou a reumatologista Rina Giorgi.

Sobre os sintomas, a especialista é resoluta. “A mão é o cartão de visitas do paciente com reumatoide, mas, além delas, qualquer dor persistente nas articulações, que durem em torno de um mês, devem ser avaliadas por um médico”, ressaltou a especialista. EFE